OS TRÊS GRILOS


          23 de janeiro de 2016.
     Parece que no minuto em que o sol surgira aquele dia, fui despertado por uma zoada de grilos. A princípio me irritei por ter sido arrancado do meu sono assim tão anarquicamente.
         Sentindo batidas exaltadas no meu peito, percebi que os grilos estavam fazendo a sua festinha matinal próximos à minha cama. E removendo uma coisa daqui, outra dali, não demorou muito, eu avistei os intrusos grilinhos. Eram três! De aparência acizentada, jaziam eles quase amontoados no canto inferior da porta do quarto. 
   Logo notei que eram de tamanhos diferentes; um maior que o outro e, mesmo assim, todos bem pequenininhos.
         O mais robusto, imaginei ser o pai, ou a mãe. Apenas rascunho em minha mente tal suposição, pois entendo muito pouco da de insetos. Mas, enfim, eu nessa linha de raciocínio apenas imaginei que os outros poderiam ser os filhotes...
            Considerei-os tão lindinhos, que senti terem vindo abrilhantar o meu dia, apesar daqueles seus cri-cris agudos. 
              Tomei, então, o cuidado de não assustá-los, machucá-los ou afugentá-los... Deixei-os seguir com suas próprias vidas, sentindo aumentar de repente em meu peito uma espécie de ternura.
      E pensei: é bom de vez em quando ser acordado e animado para a vida por coisas inesperadas.
       É fato que os grilos perturbam, principalmente quando surgem em maior número. Mas eles também trazem consigo a anunciação de um novo tempo, numa linguagem que muitas vezes não podemos compreender.
     
EDINY EMILIANO
Enviado por EDINY EMILIANO em 23/01/2016
Reeditado em 04/07/2020
Código do texto: T5520314
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