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UM AMOR REAL VIVIDO EM FANTASIA

Ah, o tamanho da dor!

À noite, olhando o travesseiro, falando com você... Dormindo, sonhando que dormia sobre o teu peito peludo e macio... sentindo suas mãos me acarinhando... Pela manhã, acordando, sorrindo, beijando, sentindo teu corpo se aconchegando ao meu... Um pulo da cama, o cafezinho... Os olhos que não se despregam do relógio do micro, esperando a mensagem costumeira... Antes, tantas palavras de puro carinho... Depois telegramas, assinatura do ponto como você dizia na sua linguagem afeita ao trabalho... palavras que foram rareando... ao contrário das minhas que se multiplicavam numa entrega insistente, na esperança do retorno... e você insistindo no “ponto”, pois não podia ficar sem saber de mim... e tanto quis saber de mim que se esqueceu de me entregar você... e isso eu entendo, entendi sempre, até... até que o cansaço me venceu.

Para matar saudade eu leio cartas antigas que, de tão lindas, judiam de mim. Ler coisas suas me aperta a alma... Mas para quê eu quero uma alma aberta e larga se nela não vai entrar mais ninguém?

Olho seu retrato que eu inaugurei, sozinha e sem festas, na minha cabeceira. Seu olhar penetra em mim e me acompanha para onde quer que eu me vire na cama. E onde meus olhos se fixam eu vejo você, sempre sofrendo, parece até que esqueceu como sorrir. E sinto saudade das fantasias gostosas que cultivamos os dois, às vezes até na mesma hora, em doce cumplicidade. E me lembro das histórias todas que lhe contei nessas horas de enlevo. E como a gente ria!

As suas gargalhadas gostosas não saíram nunca de meus ouvidos desde que as ouvi pela primeira vez. Como elas foram marcantes pra mim! Muitas vezes as ouço soando em meu quarto, chego a me assustar... e procuro por você, certamente escondido em qualquer canto e rindo da minha ansiedade... E, quando me ajeito na cama, procurando a posição que acomode a dor, fico de lado, olho para a porta e vejo você entrando, riso malandro, olhar cobiçoso, preparando a mão pra me dar aquele tapinha de tesão... Que saudade daquele seu jeito de me preparar para o amor!

São tantas as lembranças! É tanta a impotência que até sonhar acordada se tornou difícil. Mas eu continuo amando e entregando este amor que é seu. Já nem sei mais se amar você é hábito ou vício...

Ah, se todo vício fosse um amor igual ao meu, o mundo se tornaria um paraíso...
Sal
Enviado por Sal em 12/10/2005
Código do texto: T58971
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
507 textos (44784 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 06:16)
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