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Meu Amigo Silva

Tempos atrás conheci o Silva. Semi-analfabeto, filho de gente humilde, nascido no sertão, um dia trocou de rumo montou num pau de arara e veio pra terra do consumo. Foi engraxate, ambulante, só não foi debutante. Aprendeu uma profissão, arrumou emprego, mas nunca gostou do trampo. Sofreu um acidente, ficou aleijado. Sorte que estava empregado!
Cachaceiro nato meio pacato, chegava no boteco do João, enchia os culhões, depois no W.C. e soltava seus rojões.
Às vezes era levado pra casa pelos amigos. Hoje inimigos!
Silva embora não tivesse instrução, tinha sedução. Reunia pessoas à sua volta e vendia ilusão. Nunca sonhou nada que não fosse uma birita. Ironia do destino ganhou de presente uma realização. Juntou-se com a máfia virou figurão, comprou até avião! Nunca gostou de ler nem gibi do Patinhas, agora viaja pelo mundo discursando abobrinhas. Quando pega o microfone, pensa num karaokê.
Improvisa tudo o que diz e não sabe onde está o nariz. Quando abre a boca o Aurélio puxa a toca. É o cúmulo! Agora anda dizendo que vai fazer exame de consciência. Se fosse decente, nem precisava a penitência! Outro dia falou uma besteira tão grande que me deixou nervoso! Mandei ele tomar no... barril. Mas, tenho que respeitá-lo! O cara é graduado! Tem nome! Silva... é apenas sobrenome.


Vincent Benedicto
18/10/2005
Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 18/10/2005
Reeditado em 18/12/2005
Código do texto: T60737
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Vincent Benedicto