Máscaras

Há muito tempo aderi a uma manifestação pessoal para com o status quo social e seus tentáculos, que se trata de um sistema moral de máscaras. Ainda que na época não se categorizasse desta forma.

Basicamente, as máscaras eram, até onde eu entendia, pontos distintos da minha personalidade que faziam com que eu me adaptasse ao ambiente em questão. Festas, reuniões de família, trabalho... lá estava uma máscara esperando para ser usada, e claro, eu me superar.

Mas recentemente percebi que não se trata de uma elasticidade da nossa personalidade. Não, não. Isso é impossível. Nossa essência é algo que não temos nenhuma capacidade de mudar. Fui prepotente em achar que tinha completo domínio da minha psiquê, e errei. Acontece, até eu erro (sic).

Com os confrontos sangrentos que batalhamos na vida, temos uma moral que nos ensina a superar, crescer e evoluir. Tudo muito bonito e motivacional. Mas esse conceito se perde na sua própria semântica e eu estou aqui pra esfregar isso na cara de vocês.

Evoluir é natural, mas mantém a sua essência intacta. Fugir de quem você é, é ser como um hamster em uma roda, correndo eternamente atrás do impossível. Se você gosta dessa ideia, continue girando essa rodinha cor-de-rosa enquanto outros acham bonitinho do alto de suas outras rodinhas. Ninguém se importa com você mesmo. Só querem o seu show.

O que nos faz amadurecer não é trocar de status ou personalidade, e sim ADMINISTRAR o que nós somos e temos. Esse é o erro base que eu bati de frente nesse conceito de máscaras. Em suma, usar máscaras não se trata de uma metamorfose moral que transforma minha personalidade de acordo com o que eu quero usufruir ou superar no momento. A máscara, e hoje eu entendo bem, altera o fator de interpretação da sua ótica. É como você enxerga as coisas, que te submete a uma administração de quem você é. Nunca, NUNCA ao contrário. Entenderam?

Esse é um assunto que eu acho interessante porque vivemos atualmente uma inversão de valores em todos os espectros da vida. Social, político, sentimental. Basicamente, muitas pessoas possuem uma boa natureza, com bons sentimentos e intensões, mas cagam absolutamente tudo com a péssima administração dessas mesmas coisas. Falta enxergar o mundo externo através de máscaras (outros olhos), e fazer um trabalho logístico mais eficiente pro seu próprio bem.

É bom salientar que isso se trata de uma mecânica orgânica de interação. O campo desse assunto se encontra entre nós e os outros. E as máscaras se encaixam para enxergar por outras óticas o amor, compaixão, raiva, pena, culpa, medo e todo os sentimentos que a nossa cabeça de guidão nos permite passear. A ideia do resultado da compreensão sobre o que é evoluir, melhorar e amadurecer através de máscaras, é justamente embaralhar esses sentimentos, e redireciona-los da melhor maneira possível.

Por isso sinto falta de uma abordagem mais técnica sobre o assunto nas referências morais que vocês aderem pra vida pessoal. É muito bonito superar, crescer, evoluir, andar pra frente. Mas sem o entendimento de como, tecnicamente, isso é possível, você vai acabar fazendo péssimas escolhas e vivendo uma grande mentira. E que só você acredita.

Raphael Barros
Enviado por Raphael Barros em 05/09/2017
Reeditado em 05/09/2017
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