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Apenas mais uma de amor...

Em um lugar bem distante da realidade, construíram uma faculdade. Não era a melhor, mas quem passava por ela, tinha a impressão de ser um bom lugar para estudar. E por causa de uma faculdade que esta história começou.
Aline era uma menina ainda, tinha 17 anos e queria fazer faculdade, escolheu aquela por ser perto de casa, e escolheu o curso de jornalismo por não ter matemática, e pensava em estudar no período noturno para fazer estágio e pela primeira vez em sua vida trabalhar. Fez o vestibular e passou. Diogo era um rapaz agitado, tinha 25 anos, tinha o desejo de além de cursar uma faculdade, conhecer pessoas e curtir a vida, que como sempre, curtia, escolheu Rádio e TV, mas o curso não conseguiu número de alunos suficiente para formar uma turma. A faculdade para não perder estes alunos sugeriu que os mesmos fossem para a turma de Jornalismo - noturno, e por obra do acaso, ou do destino, ou sei lá do quê, Aline e Diogo se viram pela primeira vez.
No primeiro dia de aula, talvez não tenham se notado, era tudo muito novo e muita gente na classe, ela sentava na frente e ele na última fileira de cadeiras, ela não falava com ninguém, pois tinha um namorado muito ciumento que até foi apelidado de “Pit” pelo professor de Língua Portuguesa, e ele tinha uma namorada também, mas isso nem chegava perto de ser um problema para ele, mas como falado antes, não sabemos de quem foi a tal obra de traçar o caminho destes dois. O primeiro semestre se desenrolando e ele fez amizades com muita gente da classe, ela mais reservada, se continha em conversar com três ou quatro garotas, mas ele talvez já tivesse notado que ela estava lá. Todas as vezes que Aline passava, ele puxava um “coiotinho”, fazia umas brincadeirinhas, ela dava um sorrisinho contido e ficava por aí, isso quando ela não optava por fingir-se de surda. O primeiro semestre acabou e nada de aproximação.
Segundo semestre começando e o namoro de Aline estava esfriando, pois tinha um namorado ciumento. Muito legal, mas muito intolerante, não aceitava dividir a atenção de Aline com ninguém. Ela conversava sempre com as gurias da classe, chegavam até a comentar qual dos carinhas da sala que elas possivelmente pegariam e Aline já pensava em Diogo. Diogo nem passava perto do tipo de homem que Aline estava acostumada a ficar, ele tinha o cabelo grande e ela odiava homem cabeludo, ele tinha barba e ela odiava homem barbudo, muito saidinho e ela preferia homens mais recatados. Talvez ela fizesse o tipo dele, tinha um corpinho desenhado, pele da cor do pecado, para um cara que tinha namorada, uma boa aparência já estava de bom tamanho, além disso, Aline não era uma cabeça vazia, tinha uma boa conversa, parecia ser uma pessoa “massa”. Mas mesmo assim, havia algo que não se sabe explicar que chamava um a atenção do outro, porque a história parece que vai além de uma amizade colorida.
Aline terminou o namoro. E quis aproveitar o tempo que estava vivendo. Começou a sair com as amigas da faculdade, estava em todos os shows da cidade, de axé a música erudita, e aproveitou para se aproximar mais de Diogo. Diogo continuava com a namorada, porém parecia que estava em crise, e ele se aproveitou disso para se aproximar de Aline e foi com trocas de MSN que toda a história começou. Em conversas e mais conversas chegaram a uma aposta que ela deveria dar um beijo nele, caso perdesse o desafio. Perdido por Aline, o beijo aconteceu e daí para frente, vários outros. Eles se encontravam nas salas escuras do prédio da faculdade conhecido como “Carandiru”. Por vezes, alguns colegas quase os pegaram, mas até que eles disfarçavam bem, porém chegou uma hora que todos já estavam sabendo, mas eles não assumiam nada. O segundo semestre terminou e nas férias, eles se separaram.
Voltando das férias, agora no terceiro semestre, eles se viram uma única vez durante estes seis meses. Diogo foi vítima de uma injustiça que traçaria um novo homem e que talvez desse a maior prova de que aquilo não se resumiria a uma amizade colorida. Com Aline, Diogo poderia contar para o resto de sua vida. Ele foi preso injustamente e passou exatamente seis meses e vinte um dias encarcerado. Quanto a ele, não se sabe ao certo o que se passava pela cabeça, mas Aline rezava todos os dias e todas as noites para vê-lo, para que ele fosse absolvido, e até sonhava com um possível namoro, sonhar não custa nada, né?!Com toda certeza, esta situação era desagradável para ambos e ela queria muito poder visitá-lo, porém nunca conseguiu. E o tempo passando, ele mandou uma carta para ela. Noossa! Aline tremia nas bases ao saber que ele escreveu para ela, uma emoção enorme! Na hora ela respondeu a carta, e ainda ligava sempre para a casa dele para saber notícias. Estava tão apaixonada que o coração dela estava lá com ele, embora ele não tivesse a noção de quanto amor ela despendia para ele, de quanta agonia ela sentia em não poder vê-lo.
Chegado o dia do julgamento, e como eram três os acusados, a determinação do juiz era que deveria ser desmembrado o juízo. E de dezembro, foi adiado para fevereiro a chance de Diogo ser liberto e de Aline finalmente estar com o possível amor da sua vida, pelo menos neste dia, para a felicidade dela, descobriu que Diogo não estava mais com a namoradinha, pois ela havia aprontado. Fevereiro chegou, e novamente Aline vai ao novo juízo a fim de ver Diogo e claro, ver o Estado reconhecer que errou ao absolver de uma vez por todas Diogo. Estava ela e mais alguns colegas de faculdade e lá ficaram até saberem o resultado que lógico absolveu por unanimidade Diogo. Ela havia comprado algumas lembrancinhas para ele durante este tempo que estava preso, para não atrapalhar o momento família, ela deixou tudo com a mãe dele e foi embora com o pessoal da faculdade.
No dia seguinte, ela ligou para saber como estava Diogo, conversou um pouquinho, ele estava um pouco desabituado com o mundo, palavras dele, e até não tinha muito assunto para falar, mas o que todos queriam saber era a experiência de estar preso. E isto ela não estava nenhum pouco a fim de saber, ela queria mesmo era esquecer que isto aconteceu e queria estar com ele, beijá-lo, abraçá-lo e quem sabe namorar. Mas nada disso aconteceu, ele saiu bem perturbado, e precisava se habituar ao seu cotidiano aqui fora, e esta situação, adiou mais uma vez a chance do tão ilusório namoro. Ela como sempre, compreendia e aguardava.
Ele voltou ao mundo, arrumou um novo emprego, mas não voltou para a faculdade, e ainda se sentia muito inquieto. Eles se afastaram um pouco, tinham até contato, mas não como antes. Querendo respirar novos ares e começar nova vida, Diogo foi embora para Maceió, antes foi à faculdade e se despediu de todos, inclusive de Aline, que estava decidida a se declarar, mas ela como sempre tem uma trava na língua que nunca a deixa falar seus sentimentos, se despediu e não falou nada. Mas chegando a casa, ela chorava, por pensar ter perdido o suposto grande amor para sempre. Para ela, ele não voltaria mais e poderia ter até a chance de arrumar uma nova namorada, mal sabia ela que ele já tinha outra mocinha que sondava o território e comia do pirão que ela tanto amava. Talvez o grande amor não vingasse por deixar tudo muito á vontade e por reprimir muito os sentimentos.
Diogo não agüentou muito tempo em Maceió, voltou em um mês e com isso veio à notícia desta mocinha que cercava o território de Aline. Para ela foi uma desilusão, mas tinha sempre em mente que “o que há de ser, será”. Sofria muito com aquilo, mas agüentava, até o dia que ela chutou o balde. Aline nunca falava muito de seus sentimentos, mas Diogo não era burro e sempre notou, além do quê, sempre chegava um ou outro para falar sobre este assunto com os dois. Diogo conversou com Aline e explicou que ele não era homem para ela, que após estes acontecimentos, ele desacreditou em algumas coisas, agora ele era homem de tudo o que acontecesse, pois ele não saberia o dia dele de amanhã. Disse também que gostava tanto dela que não queria magoá-la e que o melhor a ser feito, era apenas continuar uma grande amizade, pois ela era uma princesinha que merecia todo o respeito dele. Aline ficou indignada com as palavras de Diogo, cansou de tudo e decidiu continuar a vida, namorar outros e quem sabe, este não era o grande amor que ela imaginava. Conheceu outros carinhas, ficou com alguns e até namorou um. Ao saber que Aline estava namorando, Diogo sentiu ciúmes, ela mesma o falou dentro de um aterro ao fazer um documentário sobre a história da cidade que eles estavam pesquisando. Ela tentou ao máximo gostar deste namorado, porém ele era um safadinho, não era homem para Aline. E Aline novamente livre.
Semanas depois do término do namoro de Aline, eles deram novamente um beijinho muito rápido e depois disso nunca mais ficaram, mas ainda assim Aline tinha muita esperança de ter o tão sonhado namorado Diogo, mas tudo foi se perdendo à medida que a vida dos dois se encaminhava. Diogo voltou para a faculdade, arrumou um emprego melhor, Aline se formou, Diogo foi padrinho de sua formatura, e decidiram montar uma empresa que até então nunca saiu dos pensamentos deles, mas também não é uma obra concreta. Nunca mais eles falaram de sentimentos, cada um segue sua vida, mas não se sabe ao certo qual é o sentimento que envolve este dois. Pode ser que para Diogo esteja tudo resolvido, e para Aline não, ou vice-versa. Pode ser que eles ainda tenham muito que viver como empresários ou como companheiros. Pode ser que deles nasça um fruto. Pode ser tanta coisa. Esta narrativa teve quatro anos e algo que me pergunto sempre é por que esta história teve que acontecer? Não sei a razão de um cruzar o caminho do outro. Não consigo compreender que amor é este. Pretendo descobrir, e qualquer que seja o motivo ainda pretendo contar para vocês, mesmo que seja daqui a mais quatro anos.
Cláudia Maciel
Enviado por Cláudia Maciel em 23/08/2007
Código do texto: T619669

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Sobre a autora
Cláudia Maciel
Guara I - Distrito Federal - Brasil
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