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         Tudo começou há  muitos anos atrás. Jovem ainda, com muita energia para gastar, mil idéias na cabeça e um objetivo só: agarrar-me à essa paixão,  visto que ela parecia ser o caminho de minha felicidade.

         Ainda no começo, não conseguia discernir a força interna dessa paixão (a força dela, não a minha), às vezes parecia muito forte, altiva. O componente intelectual era bem evidente.           Muito fina, algo aristocrata,  a imagem de um passáro, muito belo e colorido cabia bem nela. O azul era uma cor que predominava, a beleza de sua constituição fez muitos pensarem como eu....Na verdade quantos mais  a queriam, mais eu me apaixonava.

       O tempo foi passando, várias coisas ocorreram, tanto com ela como também comigo. Ela se uniu a pessoas muito diferentes de mim,  ela tomou um rumo diferente, desapareceu por um tempo, algo como uma retirada estratégica, apesar de, por alguns anos comandar minha vida de forma integral e sem que eu pudesse fazer nada contra. Foram muitos anos sob a égide, a sombra desse amor.

       Fiz terapia e durante muito tempo discuti sobre essa paixão, apesar de muita gente achar que aquele assunto era cansativo, repetitivo. A paixão foi minguando, comecei a ver o outro lado, o lado obscuro, fraco, sem a altivez de outrora.

       Chegou ao ponto, de um dia perceber que sem ela minha vida começara a melhorar. Cheguei ao ponto de quase unir-me legalmente a ela, ser somente dela, e participar de tudo que pertencesse à ela. Lêdo engano. Tudo clareou, tudo começou a fazer sentido. Essa paixão era como qualquer outra que já tivera antes.

       Nos últimos tempos, mostrou-se de uma alienação total, sem força para dizer o que queria, o que pensava. Vi que ela era uma almofadinha, cheia de frú-frú, cheia de frescurinha. Ela sempre criticou as outras que não eram de sua estirpe, da mesma classe,  porém as outras, mesmo sem cultura, e sem classe mostraram um poder de união, uma força que beira a invencibilidade.

      Pois é, minha antiga paixão morreu. Muitos não entendiam porque eu a defendia com tanto fervor, mesmo quando eu dizia que não era nada daquilo. Meus amigos também já haviam passado por isso e diziam: "deixa prá lá, isso passa e no fim tudo se resolve, de uma forma ou outra".

       Meu amor e dedicação à ela deram-me forças para abraçar outras causas. Foi uma paixão legítima e nobre, mas acabou.

       Querem saber o nome?

       Ela se chama PSDB. Calma!!! Não são as iniciais de uma mulher, e sim do partido que nos abandonou quando mais apaixonados estávamos. Não nos defendeu quando mais precisávamos, vendeu-se por migalhas e traiu a todos que nela se engajaram. Cheguei quase a filiar-me, de papel passado e tudo. Menos mal que a burocracia interna do partido, fez-me desistir. Mostraram ser um bando de almofadinhas ridículos, sem força de combate, sem um comandante. Um exército sem comandante é  o mesmo que um navio sem leme, que é levado pela corrente sem um rumo certo. Continuam a criticar os opositores mas não tomam uma atitude que condiga com as palavras proferidas aos gritos.

       Espero encontrar um novo amor e me apaixonar novamente visto que sem ela a vida não tem muito sentido, não tem emoção. Meu maior desgosto é que esse amor, essa paixão,  se transformem em ódio, em algo rançoso e frio.

Um abraço















     

     
JOSÉ MIGUEL DELGADO
Enviado por JOSÉ MIGUEL DELGADO em 23/08/2007
Reeditado em 01/10/2007
Código do texto: T620005

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Sobre o autor
JOSÉ MIGUEL DELGADO
São Caetano do Sul - São Paulo - Brasil, 56 anos
224 textos (35214 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/08/17 11:55)
JOSÉ MIGUEL DELGADO