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MEU MESTRE VORTÔ!

Meu mestre vortô! Ele odia quando chamo ele ancim, de mestre. Pois ói, ele vortô depois de um tempo que deu pra relaxa e também, eu acho né!dá uma gozadinha. Eu iscuitei ele dizê que uma tal Marta é que mando ele fazê essas coisa. Pois ói, eu sô Arquibaldo, o breve. Meu mestre me chama de Árqui e ôceis também pode chama eu ancim também. O breve não pricisa dizê pois ele disse que não pricisava.Pois intão tá bão, tá? Pois ói, meu mestre andô uns tempo desses dia sem fala muito.Andava meio chateado, o pobre, e eu comecei a fica preocupadim com ele. Foi que resorví fala com meu amigo Vulpino Argento, o demente, que é secretário do mestre e sabe muitas coisa dele. O mestre chama ele de Vúlpi e, as veiz só de demente que deve sê uma coisa importante e muito boa. Já iscuitei o mestre dizê: demente, vem aqui! Pois ói, Vúlpi contou que o mestre sofreu uma feia e braba doença. Ele me disse mais eu não intendí direito e ele iscreveu pra eu bem ancim, óia aí: “nosso mestre sofreu uma expansão violenta do saco com arrebentação, acompanhada de estrondo, causada por repentina liberação de forte energia, por uma reação química muito rápida, manifestação súbita do acumulo de sentimentos causados por fatos e acontecimentos recentes”. Essa iscrivinhação toda Vúlpi copiou pra eu do papel que o dotô deu pra ele com o nome dos remédio pra compra na farmácia pro mestre tomá. Bem que eu iscuitei um baruião dia desse, ói! Pensei inté que fosse um erobus caino! Vulpi que disse que um erobus caiu fazendo um baruião. Pois ói, baruião eu sei o qui é mais erobus não sei não sinhô. Bão, intão tá, intão. O mestre agora tá bem. Saúde boa, um risão grandão de sastisfeito e eu e Vulpi tamo tranqüilo tra vêis.  Nóis sofreu muito veno o mestre daquel jeito. É que ele num guentava mais as notícia dos acidente,das disgraçaiada toda que as tv e os jornal e as revista tava dizeno. Eu que sei poco dessas coisa já tava sofreno junto com ele, ói! É que eu sirvu o mestre nas coisa que ele pricisa. Arqui traiz água pra eu bebê! ele diz e eu levo. Arqui isso.Arqui aquilo. Então não sei esprica as coisa. Vulpi sabe tudim, tudim. É secretario dele e iscreve e lê as coisa e sabe dirigi o carro do mestre. Vulpi é bão que só, sô! Ele é que me isprico tudo onti de noite quando o mestre fico bão e nóis fomo tomá umas guajubira pra comemorá a vorta do mestre. Ói só aí, o que Vúlpi contô pra eu, as coisa que o mestre iscreveu! Oi só!
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ONG Preservacionista
= Pra que é que serve uma baleia? Ou um macaquinho? A galinha que você vê hoje não será igual pra sempre. Nem seu uso. No Império Romano ninguém comia galinha, nem frango; apenas comiam os ovos. As galinhas eram magricelas e inúteis.Até que um dia alguém resolveu alimentá-las....foi aí que. Nada permanecerá igual, nem deve ser tudo pra sempre. Temos sorte de essas ONGs não terem existido (nem os homens) no tempo dos dinossauros. Imagino que hoje pterodátilos estariam abocanhando Boeings e Asas Deltas em pleno vôo pelos céus do mundo. Ou um daqueles bichões com pescoço de 30 metros espiando pelas janelas de nossos dormitórios no 20º andar. O que vemos hoje, ninguém verá amanhã; nem o que temos hoje, como hábitos, usos e costumes, os teremos amanhã. No universo nada é eterno além dele mesmo. Isso porém não significa que devemos sair por aí, mundo a fora, jogando lixo na rua, queimando florestas, entupindo nosso céu azul com fumaça ou matando os animais indiscriminadamente (que palavra?). Temos o que temos e devemos sempre melhorar pra coexistir. Somos a parte pensante desse planeta, mas não seremos nós que iremos destruí-lo. O planeta Terra é um perigo. Estamos vivendo sobre uma bola cujo miolo é incandescente e está sempre fervendo. Uma bola cercada de oxigênio onde tudo interage simultaneamente (outra?) e sem nosso controle. A Terra não foi sempre essa maravilha verde que dá coco onde eu armo a minha rede. E nem nós, que apesar de tudo já somos bem interessantes, apesar dos outros. Já disseram que sou fatalista. Também já disseram que sou irônico e que não me importo com as pessoas e que tenho um jeito superior; enfim um “selfish”. Mas também já me disseram coisas que me levaram ao delírio... “haven, I’m in haven”. Intão tá bão, tá! - como diz Árqui.

Forró
= Pois forró não é nem dança, nem ritmo, nem música, nem essa coisa boba tocada,cantada e dançada hoje; um jeito vulgar de fazer tudo isso. Forró já foi festa, que os colonialistas ingleses construtores de estradas de ferro pelo nordeste permitiam os operários realizar aos domingos. Era para todos; “for all”. E soava “for ó” nos ouvidos sertanejos. Os infelizes trabalhadores podiam então comer, beber e dançar ao som de baiões, xotes e xaxados; esses sim ritmos belíssimos e autenticas expressões populares do nordeste do Brasil. E aos domingos todos podiam participar do forró; que é festa.

Amar é...
= ...fazer qualquer coisa pra agradar. E aí entram as coisas proibidas e até as impossíveis, que só se descobre que são assim na hora que se pensa que dá pra fazer. Amor é outra coisa.

Votei
= Votar em Urna Eletrônica é “dar mole” pra fraude. Se não é, peça uma recontagem de votos! Peça um recibo! Poderia ser como são os que saem dos Caixas Eletrônicos. E como eles existem em todos os recantos do país poderíamos também votar neles com um Cartão Magnético de Eleitor. “Digite o número de seu candidato. Confirme na tecla verde e aguarde seu Recibo de Votação”.

Aprecie com moderação.
= O que é isso, afinal? É o que diz com voz aflita a locução apressada do final dos comerciais de bebida alcoólica na televisão. Alias, tem gente que chama isso de “as propagandas”. Cruel de mais. Não se diz “as engenharia”, mas, sim o prédio, a ponte; não se diz “as medicinas”, mas a cirurgia, o remédio; não se diz... Mas o que significa decididamente “apreciar” uma dose (ou mais) da gloriosa Stolichnaya com “moderação”? Como será possível isso? Apreciar com moderação! Se “moderação” for acerto, atino, bom-senso, cautela; ou critério, discrição, prudência; ou ainda prumo, senso e siso, como alguém poderia fazer tudo isso ao apreciar uma paisagem? Ou apreciar com moderação um conserto com a deslumbrante Anna Netrebko? Que palavra esquisita essa “apreciar”! E com “moderação”?
Prefiro a mais severa punição para quem bebe álcool e dirige; sem recomendações tolas, sem aviso prévio,sem multa, sem fiança. Prisão perpétua com trabalho forçado.

Vice
= Os vices são absolutamente inúteis ou apenas servem para conspirar? Então são problemas. Para que serve um vice-prefeito, vice-governador ou vice-presidente senão para substituir o titular de plantão? Essa é uma herança do vice-reinado do Brasil que aqui na República não tem nenhum valor; ninguém da bola pro vice. Experimente ser vice-campeão brasileiro de futebol? Ou do carnaval, ou do Pan, que já se foi? Pior é que quando um vice assume, com pompa e circunstância, a Presidência da República, temos dois Presidentes. Um, o vice, em Brasília, coberto pela lei, para mandar e desmandar, e outro, o titular, em algum lugar lá fora representando legalmente “esçe pahíz”.

Suplente
= Você votou no Zé das Couves e ele foi eleito, por exemplo, senador,certo? Mas ele morre antes de assumir, ou aceita um emprego melhor numa poderosa estatal, ou vira ministro, ou renuncia ao mandato. Aí, assume o “suplente”; um sujeito que você não sabe quem é, nem que existia, que não fez campanha política, não discursou. Não apareceu no “horário eleitoral gratuito” (variação de uma mesma bobagem) e não foi eleito com seu voto nem com voto nenhum. Tá certo? Deve estar!

100 anos de cadeia
= A nossa lei não permite que um abominável bandido fique mais de 30 anos na cadeia. Os beira-mar, os marcolas e outros menos midiáticos que estão condenados a centenas de anos de prisão, sairão quando completarem 30 anos de pena, se não antes, por outras frestas das leis. Mesmo que somem mil anos de sentenças acumuladas em diversos tipos de crimes e agravantes. No Brasil, bandido jovem não envelhece na prisão.

Grátis
= Essa nossa língua portuguesa que me sustenta há quase 5 décadas, é mesmo maravilhosa. Não por que ganho dinheiro escrevendo, apenas, mas especialmente por sua riqueza, suas possibilidades de expressão e pela colocação sintática das palavras nas orações. Por isso, porém não só por isso, perpetuam-se erros e incorreções formidáveis. A propaganda anuncia que se você comprar uma geladeira “ganha, inteiramente grátis” um pingüim. E afirma categoricamente que esse DVD tem um funcional “controle remoto, sem fio”. O tradicional “vem pra Caixa você também” não fere mais os ouvidos de ninguém. Nem a legitima aspiração de comprar “a sua casa própria”. Bem, “na minha opinião pessoal” acho que a culpa não é só dos publicitários, mas também dos jornalistas que escrevem que ontem “as bolsas caíram em todo o mundo”, mas que hoje “o dólar já abriu em alta”.

= “Quem vai ao fado, meu amor.Quem vai ao fado, leva no peito algo de estranho a latejar.
Quem vai ao fado, meu amor. Quem vai ao fado, sente que a alma ganha asas quer voar.”
Este é o refrão de um fado que gosto muito.Ele parece uma marchinha brasileirinha.Mas não é. A marchinha brasileirinha é que se parece com o fado. É filha dele, assim como boa parte do que falamos e de outras coisas que fazemos; são naturais de Portugal. Eu, pelo sobrenome que tenho, jamais serei confundido com um decasségui, e nem de nenhuma outra origem; e se tivesse que fazer algum reparo deveria me chamar Cesário. Não me sinto e nem me sei apenas um lusófono. Sinto, sou e tenho mais do que isso; inclusive a lógica rígida, que por aqui virou piada e sinônimo de bestidade, de interpretar as coisas e as pessoas. Um bom exemplo dessa lógica contou-me um amigo jornalista e também colecionador de chapéus, quando estava em Lisboa. “O senhor sabe onde se vendem chapéus?” perguntou ao motorista do táxi na frente do hotel. “Sei, sim senhor!”, respondeu o motorista já abrindo a porta do Honda. Depois de alguns minutos, pára diante de uma loja de chapéus, porém absolutamente fechada, pois aquele dia era um feriado. “Aqui está, nessa loja vendem chapéus, pois não!” Somos galhofeiros, também. Mas isso já é outra coisa.



= A concessão é a única exceção da regra. Quando alguém, em seu nome ou no de uma entidade, concede alguma coisa, está permitindo à quebra da regra. A concessão também quebra a expectativa. E causa surpresa e alegria ao concessionário; e ódio e estupefação a quem não a recebe. Mas, também, somente a exceção é capaz de demonstrar a existência da regra.



= “Delenda est Cartago” bradava Catão, o censor, ao final de seus discursos; isso há uns 150 anos, mais ou menos, antes de Cristo nascer. Catão, como todos os romanos, queria destruir Cartago.Não agüentava mais a brava resistência do grande império púnico às duas guerras que já duravam quase 100 anos. Mas, ao final da terceira investida, o exército romano entrou em Cartago e destruiu tudo; rua por rua, casa por casa, amontoando muitas pedras sobre pedras. Mas a maior preocupação de Catão durante toda a sua vida, foi combater o luxo e a ostentação feminina; o comportamento atrevido dos jovens da nobreza; e as influências gregas introduzidas em Roma. Catão, o censor, era um magistrado romano que recenseava a população e cuidava dos bons modos e dos costumes. Com forte sentido de integridade moral, Catão ajudou a regenerar os costumes da Roma antiga. Pois que venha Catão ao Brasil, há muito que delendar por aqui.


= Vulpino Argento, o demente, ficou pasmado diante de tanta beleza, quando viu uma juíza de futebol pelada no que chamam de ensaio fotográfico de uma revista. Pasmar-se não é a mesma coisa que impressionar-se. E também não se fica pasmado ou impressionado em qualquer época da vida, com qualquer idade. As crianças, por exemplo, ficam, em geral, impressionadas com coisas que não entendem mas que gostam muito. Os velhos ficam pasmos.



= “Eu não sabia!” Como se houve essa frase hoje em dia! Parece moda, ou praga. O que dá na mesma.  E o sentido que essa frase agora tem, não é apenas de surpresa, mas, sim de alívio;como se ela fosse de isenção. Quem não sabe não tem culpa; querem que ela assim pareça dizer. Dizem até que o que os olhos não vêem o coração não sente! Cada vez que escuto alguém dizer que não sabia, reconheço na pessoa três macacos, cada um cobrindo com as mãos o que faz ver, o que faz ouvir e o que faz falar, numa mesma cara. Principalmente na de quem tem poder, ou a ele está atrelado. O dono do poder não pode desconhecer nada, nem o que parece ser irrelevante. Tem que saber tudo. Poder não se delega. E quem faz isso é responsável pelos atos de quem escolheu para ser seu delegado. Dizer somente “eu não sabia” não vale, mein kamerad!




= Como produzir literatura, e ter leitores, num país de iletrados? Analfabeto funcional é um conceito formulado pela Unesco. E o IBGE deixa a mostra seus índices absolutos de analfabetos. Somos - somos, não - são 17,6 milhões de analfabetos, todos com mais de 15 anos de idade. Isso é quase 13% da população brasileira. Um arraso, no mau sentido. Entre os brasileiros com 4 a 7 anos de estudo, 50% estão no nível básico de domínio da escrita e da leitura para compreender um texto de jornal, por exemplo. Entre os que conseguiram estudar pelo menos três anos, 1/3 são analfabetos absolutos. E 30% dos alfabetizados lêem apenas frases soltas. 37% lêem textos curtos. Apenas 25% dos alfabetizados têm pleno domínio da nossa língua portuguesa. Isso significa que somente 25% dos alfabetizados  - 1 em cada 4 brasileiros – são leitores potenciais de jornais,revistas e livros. Apenas 10% da população brasileira têm o hábito da leitura, 89% das cidades não possuem livraria e 73% de todos os livros estão nas mãos de 16% da população. Estatística é uma coisa muito chata; mais, isso significa que 73 livros de cada 100 estão nas mãos de 16 pessoas de cada grupo de 100. Caramba!



= “Carpe Diem” tem o sentido de aproveite o momento. De aproveitar e não de tirar proveito abusado. Está numa Ode do poeta romano Horácio 65 a. C. “Sê prudente, começa a apurar teu vinho, e nesse curto espaço abrevia as remotas expectativas.
Mesmo enquanto falamos, o tempo, malvado, nos escapa: aproveita o dia de hoje, e não te fies no amanhã.Aproveita o tempo ao máximo.”
 O professor do filme “A Sociedade dos Poetas Mortos” ensina: “Mas se você escutar bem de perto, você pode ouvi-los sussurrar o seu legado. Vá em frente, abaixe-se. Escute, está ouvindo? – Carpe – ouve? – Carpe,carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas.” Foi demitido.

= O que impede alguém de dizer a verdade sorrindo? Quando alguém diz a verdade sempre pronuncia as palavras com gravidade, medindo-as, com medo.
- Confesse: você matou sua mãe?
- Matei!

 = Tenho sido a favor do controle da natalidade por que entendo que a vida humana está perigosamente equilibrada sobre três colunas: uma frágil, outra alegórica e outra em permanente modificação; a da materialidade, a da espiritualidade, e a da emocionalidade.
Entre as classes sociais “a e b”, o controle da natalidade é consciente e espontâneo. Não há que ser imposta. Entre as classes sociais “c,d,e,f”, porém, deve ser imposta; porque essa perversa condição é marcada pela promiscuidade.

Tem gente
= Tem gente que classifica o que os outros fazem pelo seu próprio gostar.O que diz respeito a arte e a cultura,(pintar,dançar,cantar,esculpir,escrever, tocar um instrumento musical.compor...) em todas as suas manifestações, não pode simplesmente ser ou não ser do gosto do freguês, digamos assim. Pessoalmente não me importo com o gosto alheio e principalmente com o de quem me avalia com esse sentido. É claro que só se gosta daquilo que é bom. Entretanto, nem tudo o que é importante é,necessariamente,bom. O que pode não “ser do gosto”, pode ser importante, muitas vezes, apesar do que aparente. Então, dizer que gostei ou não gostei, não significa nada. Não serve de paradigma para avaliar e muito menos julgar seja lá o que for.Sobretudo quando está em questão uma opinião, um entendimento ou um juízo acabado. “Não é a mesma coisa ler e saber ler. Lemos para nos formar; lemos com um fim particular;lemos para nos animar a trabalhar;lemos por motivo de distração. E há leituras de fundo,leituras de ocasião,leituras de estímulo,leituras de repouso. As leituras de fundo requerem docilidade, as leituras de ocasião requerem maestria, as leituras de estimulo requerem ardor, as leituras de repouso requerem liberdade”.
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Pois ói! Ói...ói...ói aí, sô! Intão tá, intão!

CESAR CABRAL
Enviado por CESAR CABRAL em 23/08/2007
Reeditado em 15/09/2007
Código do texto: T620554
Classificação de conteúdo: seguro

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