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A travessia verde
 
Deliciosa tarde de domingo, optamos por voltar para casa utilizando a balsa.
Uma estrada litorânea sinuosa, coberta de vegetação, ora flores, ora pássaros.
Acompanhando nosso passeio um por-do-sol vermelho, enfeitava o horizonte em cada curva que se descortinava.
Cantarolando felizes, recarregávamos nossas baterias de vida.
E até descoberta fazíamos.
Descobrimos que o sol brilha também à noite, já que sua luz reflete através da lua.
Ao longo da estrada até chegar na balsa, bicas de água escorrendo na serra, umedeciam o ar.
Ofertas de água gelada, cocada, milho verde, nos distraíam enquanto esperávamos..
Suave ela rompia o canal. Jovens dedilhavam um violão. Uma flauta doce, acarinhava nossos ouvidos suavemente. Os jovens enfeitavam a balsa repleta de regressantes.
Uma pena que foram apenas 15 minutos, vivendo aquela harmonia
saboreando a paisagem de barcos e escunas ancoradas.
Garças e mergulhões, sobrevoavam nossas cabeças.
Um mar azul coberto por uma brisa morna nos acariciava a alma.
Já anoitecia e a lua cheia, azul de prata, era um enfeite daquele horizonte
O romantismo invadia nossas almas.
A magia do amor fluía como cheiro de mar enfeitiçando todos.

A TRAVESSIA AMARELA

 Tomamos uma estrada de mão dupla,
que iria transpor o canal usando uma balsa.
Não havia muitos carros retornando, era domingo.
Era perto da noite, ainda tinha uns raios de sol.
Chegamos na balsa, comemos amendoins, 
espigas de milho cozido,
Esperamos um tempinho. Logo atracou a balsa.
Pagamos quase 5 reais e por mais ou menos uns 15 minutos. Atravessamos o canal sem sustos.
Conosco na balsa umas 50 pessoas. Mais de 10 motos.
Quando acabamos de atravessar, já havia uma lua despontando no céu.
Nos fins de semana, eles colocam só uma pequena balsa.
Isso atrapalha um pouco, poderiam utilizar duas.
Uma indo, outra voltando.
Mas enfim, voltar pra casa no domingo à noite é sempre bom.
Ainda mais depois de um fim-de-semana nas praias do Guarujá.
Já em terra firme, completei o tanque do carro
E subimos a serra tranqüilamente.

A TRAVESSIA VERMELHA

 
Maldita hora em que pegamos uma estradinha horrorosa cheia de buracos e curvas
A pista única, com faixa dupla em toda extensão impediam ultrapassagem
dos carros velhos e fumacentos a nossa frente.
Por ser domingo á tarde, bêbados e cachorros sarnentos atravessando a estrada o tempo todo.
Chegamos na balsa às 15h com um sol queimando o rosto e zumbido de pernilongos fazendo congresso na nossa cabeça.
Mutucas, borrachudos, faziam fila pra ver quem picava primeiro.
Um inferno.
Minha sobrinha, ranzinza e chata no banco de trás, toda empipocada de picadas, comendo um salgadinho fedorento.
Minha irmã sovina, pra economizar, sentou-se 
em cima da bolsa
e ainda escondeu os últimos 5 reais que eu tinha para pagar a travessia...
Uma fila de mais de 2 horas, com fome e sede.
Meu estômago roncando mais que o motor da balsa, que chega suja e sacolejante. Um risco para todos...
Um bando de bêbados e maconheiros, zuando e fazendo algazarra na balsa enlouquecida.
Ir pra praia em fim-de-semana é uma experiência que todos devem viver.
Ou morrer.

Augusto Servano Rodrigues
Enviado por Augusto Servano Rodrigues em 27/08/2007
Reeditado em 02/10/2007
Código do texto: T626196

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Sobre o autor
Augusto Servano Rodrigues
São Paulo - São Paulo - Brasil, 69 anos
156 textos (50589 leituras)
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Augusto Servano Rodrigues