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CHOCOLATE


Eu vi quando a gota de chocolate se formou, no bolo que ela acabara de morder, à minha frente, do outro lado da mesa.
Deslizou para o canto da boca, devagarinho, um traço castanho riscando o vermelho brilhante do baton.
De mãos ocupadas, a desconhecida procurou limpá-la com uma lambida engraçada.
Vendo-me a observá-la, encolheu a língua e ficou muito vermelha, enquanto a gota prosseguia desenhando o seu caminho castanho pelo queixo dela abaixo.
Instintivamente, peguei num guardanapo de papel e tentei impedir o pior, mas não deu tempo, e a gota de chocolate escorreu até que, finalmente, pingou para  dentro da sua camisa branca, alastrando por debaixo dela, escurecendo, e lentamente desenhando um seio...
Então, eu percebi que ela me olhava, olhando para ela, e , confesso, foi a minha vez de ficar sem graça. Mas não havia mais o que fazer ... e, sem outra saída, procurei sorrir, algo encabulado, de guardanapo na mão à altura do seu queixo, olhando aquele seio de chocolate que se revelava.
Foi nesse momento que os seios dela se empinaram e pareceram aumentar de volume, captando definitivamente a minha atenção. Quando a olhei nos olhos, já um brilho irreverente, divertido,  substituíra a anterior expressão de embaraço por uma outra totalmente diferente, de puro desafio feminino.
Rimos os dois. Conversamos muito, nessa tarde, e comemos vários bolinhos de chocolate, talvez na esperança de que mais alguma gota nos aproximasse ...
Acabámos amigos, rindo bastante, e quando saímos para a rua fria, lá fora, juntos, eu levava na mão uma caixa cheia de bolinhos de chocolate, ainda quentinhos, e no peito, toda a esperança do mundo.


Agosto, 2007
Henrique Mendes
Enviado por Henrique Mendes em 27/08/2007
Código do texto: T626198

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Sobre o autor
Henrique Mendes
Montijo - Setúbal - Portugal, 61 anos
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Henrique Mendes