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O Circo

  Não morreu nenhum palhaço, apenas os elefantes e os tigres. O circo arde em chamas e me sinto muito triste; as feras não fogem porque só conhecem o picadeiro, a jaula, os truques. E o êxtase da platéia. As feras morrem queimadas achando que o fogo é parte do espetáculo.

  Mas os palhaços continuam fugindo... São meio ridículos ao sol do meio-dia, com aquele sorriso pintado escondendo suas bocas vulgares, mas eles sobrevivem sempre.

  Bundas gordas e listradas que sabem se safar.

  Sei que você queria me ver à luz da razão, construindo um discurso coerente, mas minha tristeza é mesmo enorme. Simplesmente não sou capaz agora, tenho um tigre para enterrar; você e os outros esquecem, esquecem sempre, logo estão lá novamente batendo palmas e sorrindo. E a vida segue assim, cada dia um número de malabarismos consagrados que ainda surpreendem vocês... Quem me dera ser tão tolo e invulnerável e ainda assim achar que comungo com os justos.

  Mas tenho que sacrificar um elefante e um elefante não esquece.
Corujão
Enviado por Corujão em 28/08/2007
Código do texto: T627051

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Sobre o autor
Corujão
São Paulo - São Paulo - Brasil, 44 anos
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