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SOLTANDO AS RÈDEAS

Tudo começava a voltar a ser como era antes, os dias mais longos, o sono agitado, a alimentação desregulada, sem falar que eu estava novamente solteiro e com um universo de possibilidades na minha frente.
Mas por mais que eu soubesse disso, por que continuava a me sentir inseguro? Com medo de cair na pista de novo e deixar a vida seguir seu curso?
E. já estava em outra cidade, se preparando pra ir embora para sua casa, e apesar de já nos falarmos por MSN, ele iria embora, e isso já era passado!
Mas a semana foi lenta, muito monótona e tive muito tempo pra pensar, comer, e andar pela casa...
Nisso, fui fazendo uma auto-regressão, não em minhas vidas passadas, mas nos meus relacionamentos dessa mesma vida...
E fui notando que eu seguia um padrão, um terrível e pavoroso padrão...
Como um vício, eu nunca notei ter, e se notei, o maquiava como se fosse algo natural e saudável... mas que no final das contas nunca fora.
Sempre que eu conhecia alguém muito legal, que correspondia o meu olhar, eu já me projetava para o futuro, já encanava numa relação, em fantasias e cobranças (feitas a mim mesmo e a pobre da pessoa em questão).
E foi nesse momento que percebi que sempre que começava a sentir algo por alguém, vinha uma angústia, um medo de perder a pessoa quase devastador.
E o culpado dessa síndrome de rédea presa era o fato de eu criar na minha cabeça essa cobrança e assim atropelar um monte de coisas... Como meus sentimentos, o tempo necessário pras coisas acontecerem, e os sentimentos do outro.
Tendo o meu padrão já apontado e confirmado, me questionei se os outros também os teriam, se por um sonho ou um ideal os outros já não teriam empacado no meio do caminho... ou até mesmo colocado a carroça na frente dos bois, atropelando tudo e a todos.
Os ansiosos vão concordar comigo, e eles sabem o quanto é doloroso. Só que o pior não é a dor, porque no final das contas nos agüentamos, e às vezes até vemos certos prazeres nela.... O que mata é nos ver repetindo os mesmos erros, chorando as mesmas causas! E eu estava farto de atravancar meu caminho...
Estava na hora de me libertar dessas amarras, desse padrão que me cercava, me causando aquela agonia e medo de perder o que eu na realidade nunca tive.
Pensando assim, entendi o quanto fora importante conhecer E., que me mostrara que não podemos controlar a vida, podemos sim ter um ideal e acreditar nele a cada segundo, mas é a vida que decide a hora, o tempo e o lugar que seus sonhos e  vontades irão se concretizar. A nossa única missão é viver, e aceitar o que a vida nos oferece ( se assim nos agradar!).
Respirei fundo e me soltei, pulei do trapézio da vida sem rede de segurança, larguei as rédeas do meu alazão, e deixei-o cavalgar livre.
Aliás eu sempre me orgulhava de ser uma pessoa livre e adorar esse estado! Por que passei tanto tempo mutilando a liberdade do “acontecer”... do deixar acontecer?
Porém agora não, estava livre, tinha me livrado desse padrão, todas as janelas e portas de meu lar estavam abertas e não iam se fechar, vamos viver o que a vida nos dá, não existe amanhã, apenas o hoje... com isso berro para toda cidade que estou livre e pronto para viver o agora!
Minha ida para o Rio estava programada, eu precisava de férias... principalmente agora que estava solto, finalmente solto.
Era um ciclo que estava se fechando, eu podia sentir, tudo começara com o jogo do amor, me perguntando se eu tinha sorte, e agora encerrava comigo soltando as rédeas da minha vida, tendo a certeza que tudo estava ali, â minha espera...
Agora era esperar o dia virar, o sol raiar e a roda da sorte girar.
Porque a partir de agora há muito a ser vivido!
Thiago Syn
Enviado por Thiago Syn em 01/09/2007
Código do texto: T633917

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Sobre o autor
Thiago Syn
São Pedro da Aldeia - Rio de Janeiro - Brasil, 28 anos
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Thiago Syn