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Me engano, que eu gosto!

Após um mês inteiro de terapia, já me sinto outra pessoa! A doutora diz que o resultado não é assim tão instantâneo, e que nem devo esperar que seja. Mas não sei porque, essa semana me sinto tão preparada pra encarar problemas, que se feu osse ela, me daria alta hoje mesmo. Minha vida está ótima! Por exemplo, a academia, tenho freqüentado duas vezes por semana! E se por acaso não conseguir pegar os 20 min iniciais, pois estou sempre atrasada, me dou um castigo: ou vou pra sauna, ou vou pra casa, tendo que retornar num outro dia. Sem pressa, claro! Se isso acontecer, não posso me desesperar. É só voltar aos shakes e chás emagrecedores que minha culpa some. Ela vai embora juntamente com o diurético. No trabalho as coisas não poderiam estar melhores. Fui eleita a funcionária do mês! Uau! Meu chefe resolveu reconhecer minhas horas extras e esquecer os atrasos diários de meia hora! Também se esqueceu do dia em que eu estava em TPM, e sem querer (a TPM queria), escapou um “corno e viado” mais alto do que o limite entre a distância que nos separava. Minha sorte é que ele, apesar de ser afetado, é calmo com mulheres, afinal ele é gay, mais sensível e mais compreensível do que até mesmo uma mulher em TPM. No evento de comemoração ganhei um vasinho de violetas, daqueles de um real. Gostei da idéia de ter um pouco de verde (que não fosse maconha), em casa. Além da violeta, havia na cesta um diploma com uns dizeres inesquecíveis, daqueles que são achados em sites emotivos populares, e que se fossem vendidos, um real não seria um preço justo. Menos talvez. Quase de graça, certamente! Mas acredito que a intenção da empresa, não é fazer com que o funcionário eleito melhor do mês fique calculando os gastos que a mesma teve para com ele num evento tão memorável, e sim que sirva de motivação profissional. Ué! Mas será que eu preciso?
Cheguei à uma conclusão: eu devia realmente estar mostrando um desinteresse significativo no trabalho, atitudes como:irresponsabilidade com horários, descaso com o chefe, preconceito com homossexual (e adoro gays, de verdade!), intolerância às piadas sem graça do subgerente gordo e fedorento, e uma certa repugnância da estagiária que chegou sorrindo pra Deus e o mundo, e no fundo é uma anta que quer aprender (motivada pelo menos). Então acredito que a equipe tenha se reunido, e pedido, implorado, com todas as forças, para que a RH abrisse uma exceção e que me elegesse a funcionária do mês, claro eu precisava de um bom motivo pra parar de ser tão arrogante! E não é que funcionou?
Então dancemos conforme a música! E por falar em música, já que estou praticamente curada, hoje é dia de sair! Segundo a terapeuta, sair é uma forma de esquecer e fugir dos problemas. Mas no meu caso não, convenhamos, eu estou ótima!
Fiz meus devidos contatos. Meninos e meninas, let´s dance!
Chegando na boate, que apelidamos de inferninho, os garçons, seguranças, recepcionistas, caixas, mocinha da chapelaria, fora os amigos que encontrei, estranharam minha ausência que durou duas semanas. Fiquei tão emocionada com tanto carinho, que resolvi comemorar meu retorno à vida com 4 doses bem servidas de vodka. E daí em diante, já não posso dizer nada com "Absolut" certeza!
No dia seguinte..
Triiiiiimmmmmm, triiiiimmmmmm!!!!!!!!!!!!
- hmm..
- Alô, Mari?
(não, não é a Mari. Se você ligou nesse número sabendo que eu moro sozinha, quem seria??)
- ahã..
- Td bem? é o Edu.
(hein??)
- Quem?
- Edu. Te acordei?
(Não, minha voz é assim mesmo, feia, grave e rouca, mané).
- Acordou, e agora que já me acordou, fala.
- ahh, desculpa..
- quem é vc?
- nossa Mari, jura mesmo que você não se lembra?
(eu vou desligar, juro que vou)
- Juro mesmo..
- então ta bom, curta aí essa ressaca! Você é inacreditável! Achei que tivesse conhecido alguém especial, mas pelo jeito me enganei. Tchau!
- Tudo bem, não tem de quê. Tudo de bom pra você. Beijo! Tchau.
Duas horas da tarde de um sábado ensolarado. Eu na cama. Cabeça latejando. Acabou Engov. Acabou a água. E ainda por cima recebo um trote! Parece que a vida está de volta! Mas o importante é que estou curada, voltei à vida boêmia! Quem foi o infeliz que inventou que noitadas não levam à nada?
Mariana Merigo
Enviado por Mariana Merigo em 01/09/2007
Código do texto: T634208

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Sobre a autora
Mariana Merigo
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 40 anos
12 textos (1812 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/08/17 10:16)