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Loucura

  Você não está mais aqui para ver isso, a loucura que tomou conta dessa gente. Agora eles dormem à noite e durante o dia trabalham, pagam contas... Ligam para os amigos até, dão conselhos e citam verdades imortais.

  Ninguém mais se droga - para não fazer feio - todos comem o mínimo para não engordarem, não cultivam mais nenhum vício sequer.

  Meu castigo foi viver para ver isso, a desconstrução gradativa dos nossos valores; eu falo sozinho de madrugada e bebo solitário de manhã. À tarde ainda me drogo, mas é só para suportá-los mais tempo. E penso no que será desse mundo na mão dessa gente.

  Minha flores loucas morreram no teu jardim. Eu andaria agora entre elas sentindo teu perfume e fingiria ser feliz novamente, mas sinto que também meu tempo se desfaz, escorre feito grãos de areia nessa hora imprópria.

  Dizem que minhas palavras não fazem mais sentido... Mas tente explicar que as cores que víamos não se misturam nos olhos deles, que nosso riso dói mais que suas lágrimas e eles farão pouco de você também: vivi para descobrir que o fogo queimando em meu peito é bem menos que esssa pedra de gelo que se liquefaz em minhas veias.

  Agora o bonito é ser igual a todo mundo e todos são iguais aos meus olhos; mas eles me olham e sabem... Não tenho como fugir, só quero a sorte ou o perdão para morrer e ser esquecido.
Corujão
Enviado por Corujão em 04/09/2007
Código do texto: T637900

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Sobre o autor
Corujão
São Paulo - São Paulo - Brasil, 44 anos
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