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As Metáforas

  Há certas horas em que eu queria poder mandar minhas metáforas passearem, tomarem uma brisa lá fora enquanto fico aqui escrevendo apenas a verdade nua e crua; mas elas me mordem a orelha, no escuro, feito pernilongos no cio cantando seu lamento.

  Bem agora que encontrei essa moça linda, sem rosto. Ela é alma pura e simples circulando pela casa em moléculas de perfume - como posso descrevê-la? Dói e é doce, eu penso e sinto, mas essas metáforas... Não me deixam voar, flutuar pela leveza do sorriso dela. São como a Inteligência do Grande Ditador me parando em cada esquina, revistando meus bolsos e censurando minhas notas... Elas dizem: - Alto lá, cronista! Você vai cair de novo, só então pode escrever. Te levaremos para o quarto escuro e te ajudaremos com isso, na hora certa.

  Eu queria esquecer o quarto escuro, mas preciso escrever... Nem vou terminar esse texto, não quero expor a lógica óbvia que encerra a solução desse problema.
Corujão
Enviado por Corujão em 04/09/2007
Código do texto: T637903

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Sobre o autor
Corujão
São Paulo - São Paulo - Brasil, 44 anos
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