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Apertado

  Eu estou no supermercado do centro da cidade para comprar uma coisa para minha mãe, mas não consigo lembrar o que preciso comprar porque estou apertado. Preciso de um banheiro urgente.

  Procuro alguma placa de sinalização que indique onde fica o banheiro, mas só vejo placas mostrando o lugar das verduras, das carnes e das frutas. Não adianta correr entre as prateleiras, porque esse labirinto me levaria, no máximo, aos caixas. Mas eu preciso é de um BANHEIRO.

  Para a minha alegria, encontro um senhor que eu julgo ser o gerente, pois os gerentes sempre usam calças apertadas e crachás bem grandes para se mostrarem superiores.

  "Onde fica o banheiro?" perguntei.

  "Ora, não enche. Estou trabalhando".

  "Por favor, eu preciso urgentemente de um banheiro".

  "Tudo bem. Vá até a segunda prateleira de verduras, vire à direita do açougueiro e entre numa porta do lado da padaria" respondeu ele.

  Grande ajuda! Como seu eu soubesse ondem ficava a prateleira de verduras ou onde é a direita ou esquerda do açougueiro. Não que eu seja burro, mas é que eu sou muito ocupado para perceber estes detalhes.

  De qualquer forma, eu saí do supermercado e fui procurar um banheiro público, mas fui interditado por uma enorme fila. Começei a achar que aquelas leis de Murphy tinham algum fundamento. Tem uma lei que diz assim: 'A fila do lado sempre anda mais rápido'.

  Realmente, a fila do lado estava bem mais vazia. O único problema é que a fila do lado era para o banheiro feminino. Bem, você pode me achar ridículo, mas eu não tinha outra opção. Se eu esperasse mais um pouco, eu poderia aliviar por outro lugar que da dó ate de falar.

  Então, entrei bem de mansinho no banheiro feminino. Talvez ninguem nem ligasse, julgando que sou uma criança inocente. Mas eu estava errado. Joça! Tinha uma daquelas velhinhas bem gordas saindo do banheiro na hora que eu ia entrar. Não deu outra: eu levei um tabefe daqueles de matar um boi.
 
  Ah, que dor horrível. Minha bexiga ia estourar igual um balão. Eu não estava mais aguentando, e ainda mais com um sol daqueles. Aí me deu a louca: fui atrás de uma árvore e, disfarçadamente, aliviei. Oh, coisa boa. Acho que nunca me senti tão aliviado.
 
  Mas algo estranho me acontecia. Eu estava me sentido aliviado, mas algo quente e molhado me encobria. No primeiro momento, eu pensei que fosse uma folha enorme, mas isso seria impossível. Aí senti uma coisa dura nas minhas costas e senti um impacto e abri o olho. E depois eu acordei. Isso mesmo, ACORDEI. Ainda assim, olhei para a minha cama fedida e molhada. Que vergonha!
Athos Krochensko
Enviado por Athos Krochensko em 06/09/2007
Reeditado em 06/11/2009
Código do texto: T641357
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Sobre o autor
Athos Krochensko
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, 50 anos
18 textos (831 leituras)
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