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De um Cego ao Deus nas Alturas

A vida é como um barco solto no oceano. A gente navega sem saber aonde vai chegar. E ela é tão pequena na imensidão do universo, e ele é tão pequeno na imensidão desse mar.

Mas o que o universo espera da vida? O que as pessoas esperam desse mar? Tudo parece tão grande e tão pequeno ao mesmo tempo. E diante dessa imparcialidade nós nem sabemos mais o que falar. As palavras se calam e faltam quando nos colocamos a nos perguntar.

Não existem respostas, não existem explicações. Tudo é um engano. A vida engana a vida, o ser humano engana-se sobre o ser humano, a vida engana o ser humano e o ser humano a própria vida. O que as pessoas esperam do mar, se não sabem navegar?

Não há do que reclamar, estamos vivos e isto basta porque é obra Divina. O que passamos neste mundo, tudo o que passamos, é obra das nossas mãos; do nosso egoísmo humanista. Estamos soltos na imensidão desse mar. Mas  não soltos por acaso, e não soltos por engano,  não soltos de qualquer modo ou sem jeito.

Do que as pessoas tanto reclamam? Não têm dinheiro, não têm morada, não têm saúde, não têm mais nada? Ora, quem foi que inventou o dinheiro? Quem foi que tomou as terras e as cercou com estacas e arame farpado? Quem inventou o cigarro? A cocaína? A bomba atômica? As pessoas reclamam porque possuem anomalia... Anomalia de ego. Querem os benfícios da ciência e da tecnologia, mas diante do mal que isso provoca pedem piedade! Estamos vivos ainda e creio que isto nos basta. Se temos defeitos é porque somos humanos, se temos problemas é porque nós os criamos. Somos anômalos, todos nós, porque vemos e criamos diferenças entre nós. Se não víssemos nem criássemos, talvez  tudo fosse diferente.

Eu não posso ver um raio de luz em minha frente, mas devo lembrar de que o posso sentir. Eu não posso assistir um filme, mas posso ouvir e criar imagens em minha mente. Eu posso até não ser o que gostaria, posso até não ser o que pretendia, mas quem sabe um dia possa eu, um tão pequeno cego solto na imensidão deste mar, vir achar na simplicidade o encontro e vir a ser aquilo que metade da humanidade pretende ser e não consegue nem nunca conseguirá.

Olhando para os céus só me resta dizer: Nós somos anômalos, Deus, por favor, nos perdoe.... Somos anômalos do desejo, anômalos da inveja, anômalos de caráter, anômalos do engano. E eu somente te agradeço por não ter olhos e ver que a vida é bela e por poder ouvir o barulho desse mar e sentir o sol bater em mim,  sentir alguém me amar. Coisa que muita gente tem na vida e não consegue valorizar. Te agradeço por ter me posto nesse mar, por poder escutar as minhas preces e ajudar o ser humano a navegar, apesar do caos que tem sido o mesmo no mundo.

Nosso ego não tem controle e nós não conseguimos nem aos menos isso enxergar.  Estamos nos auto-destruindo. Destruindo a natureza que fabrica nosso oxigênio. Destruindo a idéia de valores e os graus de importância das coisas da vida.  

Por isso, permita, Deus, que eu seja pobre e felicidade eu ainda possa encontrar. Permita que eu seja cego e mesmo assim eu possa enxergar. Permita que eu seja surdo e a voz do mundo eu possa escutar. Permita Deus, que eu seja mudo e de sentimentos eu possa falar. Permita que eu esteja solto na imensidão desse mar, mas permita sempre que eu aprenda a saber navegar... A saber navegar... A saber navegar...
Blog Dois Pernods
Enviado por Blog Dois Pernods em 07/09/2007
Reeditado em 22/09/2007
Código do texto: T642072

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