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A Feira

– Olha a banana, só um real a dúzia! – grita Dona Chiquinha da feira chamando a atenção do freguês para os seus produtos, aproveitando nas primeiras horas da manhã, o pico de maior movimento.

Toda cidade do interior nordestino tem sua tradicional feirinha ao ar livre, e em Aracati não poderia ser diferente. A “péda”, como chamam os mais velhos, aos primeiros raios de sol já está preparada para atender seus clientes, a maioria pessoas simples vindas dos distritos e localidades vizinhas em cima de paus-de-arara, Topics e carroças de tração animal.

A bucólica cidade conta com um pequeno Shopping e dois supermercados, mas muita gente prefere a feira ao conforto formal dos supermercados. Ali, há vida. Pessoas, cheiros e vozes se misturam ao cacarejar de galinhas e balidos de cabras nervosas vendidas inteiras.

Tapioca, caldo de cana, buchada e panelada são os pratos mais procurados, e muitos comem de pé, sem nenhum conforto e tampouco ligando para isso.

Política, religião e futebol são os assuntos que correm de boca em boca emitindo as mais diversas opiniões sobre o noticiário da noite anterior. Seu Zuza, deficiente visual, toca uma sanfona velha acompanhado pelo sobrinho no triângulo, que ainda meio sonolento, comanda a pequena cumbuca onde se acomodam as moedinhas colhidas a cada apresentação.

Na feira do “rolo” compram-se e trocam-se bicicletas, relógios, tvs preto e branco, vitrolas, cordões de michelin e outras bugigangas.

É a informalidade. Muitos que ali estão não conseguiram concluir seus estudos, e por falta de oportunidade tiveram que se remediar. Dona Chiquinha é uma viúva que mora no Cajueiro, uma localidade a 5 km da cidade, vive da aposentadoria e da venda de verduras produzidas numa pequena horta que seu neto ajuda a cultivar.

Já na casa dos 70 anos, esbanjando muita alegria e saúde não perde uma feira, está de segunda a segunda no mesmo horário em sua barraquinha, faça chuva ou faça sol.

Ao ver a disposição com que encara o árduo trabalho, penso nas pessoas que vivem insatisfeitas, mal-humoradas e se maldizendo, mesmo tendo tudo à mão, tudo que precisam.
Carlos Medeiros
Enviado por Carlos Medeiros em 07/09/2007
Reeditado em 28/03/2008
Código do texto: T642233

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Sobre o autor
Carlos Medeiros
Aracati - Ceará - Brasil, 56 anos
45 textos (5262 leituras)
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Carlos Medeiros