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O ÓCIO DAS TEORIAS II

Essa semana ao chegar a Universidade, veio ao meu encontro, o Evônio, colega de jornalismo, me trazendo notícias sobre o grande teorista Rodolfo e suas peripécias para economizar o seu rico dinheirinho.

“- Caro Raimundo, eu e o Rodolfo acabamos de chegar de viagem. Estivemos na grande Porto Alegre, participando de um Congresso sobre Comunicação”.

“-Que bom!” Respondi, já prevendo que viriam novidades e engatei logo a pergunta: “- O que foi que Rodolfo aprontou dessa vez?”

Evônio num misto de alacridade e escarnecimento põe-se a desfiar os principais momentos da viagem, desde a saída de Mossoró até a chegada na capital gaúcha e a volta:

“- Pois é caro professor. Como sempre o Rodolfo tenta ir pela lei da vantagem. Às passagens foram compradas ao preço de 50,00 Reais. Imagine você: até para nós chegarmos ao aeroporto, em Fortaleza, tivemos que pegar três conduções! Primeiro, o café da manhã ele tomou lá em casa, às 05h00min da manhã e como nosso vôo só saia às 14h00min horas, ele conseguiu carona num caminhão que ia pegar combustível na capital alencarina e lá fomos nós. Só que ao chegar a Aracati, o motorista precisou voltar a Mossoró, pois tinha esquecido a documentação. Aí, nós pegamos outra carona numa camionete que vendia leite pelas cidades litorâneas e fomos até Messejana, onde tivemos que descer para pegar um carro da prefeitura que ia para o depósito da urbana de lá, descarregar uma carga de tijolos. Por sorte, era perto do aeroporto e nós só tivemos que percorrer dois quilômetros a pé, com as bolsas”.

“- Quando pegamos o avião e a aeromoça passou distribuindo barras de cereais, o Rodolfo já abocanhou um punhado, alegando para comissária, que por ter tido problemas de atraso, não tinha feito a refeição do meio dia. Mas, na verdade, ele estava, não só economizando no almoço, mas também, no jantar, já que teria que fazer baldeação em São Paulo e pegar outro avião para os pampas. E assim foi feito, caro colega: enquanto estivemos no aeroporto em São Paulo, o ilustríssimo economizador de verbas desfilou pelo saguão saboreando as nutritivas barras de cereais, como se estivesse fazendo um regime daqueles. E tava”.

“- De volta ao conforto do acolchoamento dos aviões, na hora de ser servidos sanduíches, ele quis atassalhar mais de um, porém não teve sucesso: a norma era um por passageiro, o que deixou o nobre comunicador bastante triste até o seu destino final”

“- Chegamos por volta das 22h30min da sexta feira na capital do Rio Grande do Sul. Lá, nós tivemos que pegar ônibus coletivo para chegarmos ao albergue que reservamos: foram dois, com mais duas horas de senta e levanta, até o nosso destino final”.

“- No sábado, o Rodolfo me acordou exultante: tinha descoberto que todos os ônibus coletivos da grande Porto Alegre circulariam grátis, devido à campanha de vacinação. Adivinhe de que nós fomos para o Congresso? Claro: coletivo. Não só para o Congresso, mas para fazer um tour e conhecer quase todos os bairros da cidade, pois segundo Rodolfo, além de ser de graça, ainda fazia com que o estômago fosse enganado com as belezas naturais do lugar e se olvidasse de pedir comida, que por sinal, na hora que foi servida lá no local do evento, o Rodolfo era um dos primeiros da fila”.

“- Bem, foram dois dias bem desfrutados. Aprendemos muito com as oficinas e seminários e palestras, e aprendi um pouco mais (apesar de não querer colocar em prática) sobre como viajar de um extremo a outro do país sem gastar quase nada de dinheiro”.

“-Para finalizar, a volta transcorreu quase como a ida: Rodolfo pechinchando sanduíches e barras de cereais e quando nós descemos em Fortaleza, a primeira coisa que ele fez foi querer me convencer a irmos até o depósito da urbana de lá, para ver se tinha um caminhão que fosse pegar tijolos em Messejana. Pode? Dessa vez não aceitei. O mão de vaca teve que pagar a metade do táxi até a Rodoviária e de lá, até aqui, o ônibus de linha. Resultado: entre ida e volta e translado interno, ele gastou a quantia exata de 100,00 Reais”.

 

Obs. Imagem da internet
Raimundo Antonio de Souza Lopes
Enviado por Raimundo Antonio de Souza Lopes em 08/09/2007
Reeditado em 04/12/2011
Código do texto: T644274
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Raimundo Antonio de Souza Lopes
Mossoró - Rio Grande do Norte - Brasil, 60 anos
510 textos (128737 leituras)
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Raimundo Antonio de Souza Lopes