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Aventura

Aventura

Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br


O primeiro romance que Paulo Emílio leu era de autoria do escritor americano Herman Melville, "Moby Dick", publicado em 1851 e que é considerado como o maior romance americano de todos os tempos.
Mais tarde ficou sabendo que a intenção de Herman Melville foi atingir o cosmo, maligno e irracional. Mas esta história também pode ser lida como simples aventura.
Narrada do ponto de vista do marinheiro Ismael, conta como ele presenciou a luta insana de Ahab, o capitão de seu barco, contra a poderosa baleia branca batizada de Moby Dick.
Aos onze anos de idade Paulo Emílio viveu uma grande aventura quando saiu com Erasto para caçar para os lados da grande estação ferroviária construída pelo governo federal nos extremos da cidade.
Foram caminhando e Erasto levava uma espingarda , marca Flaubert, calibre 22.
Suas pernas tremiam quando ele lhe passou a arma e disse que atingisse um pássaro numa árvore.
Nervoso, mirou, fechou os olhos e atirou. Ouviu então os gritos de Erasto segurando a avezinha nas mãos, morta.
Não disparou mais nenhum tiro naquela tarde de janeiro.
Outra aventura foi no auge da Ditadura Militar, em Belo Horizonte.
Estava participando de uma manifestação de estudantes secundaristas, próximo a Igreja São José.
Tudo seguia dentro de uma possível normalidade quando alguns manifestantes resolveram depredar uma loja.
Paulo Emílio estava com sua Asahi Pentax fotografando os acontecimentos quando viu pelo visor os soldados da tropa de choque se lançarem como cães famintos sobre os manifestantes.
Começaram todos a recuar em direção do templo.
Foi quando Paulo Emílio viu que a porta tinha sido fechada e que estava cercado por soldados.
Batiam com todo vigor, com cassetetes de madeira e ele continuou registrando a confusão.
Até o momento em que acertaram a teleobjetiva 100 mm bem no meio e por extensão seu nariz que sangrou abundantemente.
Naquele dia pensou que poderia ter morrido.
Anos depois resolveu fazer uma longa e solitária viagem.
Saiu do Rio de Janeiro, de ônibus, até São Luiz do Maranhão.
A procura de hospedagem barata se alojou em um hotelzinho barato, próximo da zona boêmia da cidade.
Acabou por assistir uma briga de facas e perceber que o hospede do quarto ao lado do seu devia ter tuberculose pelo tanto que tossia.
Dali se deslocou para Teresina, no Piauí e de lá para Sete Cidades.
Depois pegou um ônibus para Fortaleza, no Ceará e de lá Recife, em Pernambuco.
Ali, com sua grande mochila de lona nas costas, cara de hippie, foi preso nem bem colocou os pés na rodoviária suspeito de transportar drogas.
Foram horas terríveis, numa delegacia que mais parecia uma pocilga.
Até que o engano fosse desfeito Paulo Emílio imaginou que pudesse ser morto de uma hora para outras.
Todas estas aventuras o deixavam frustrado, mas não era a qualquer momento que poderíamos encontrar com uma grande baleia assassina.
Lembrou-se do dia que seu pai o levou para ver uma grande baleia que estava exibida na cidade.
Seu pai, que era professor de Ciências lhe explicou qual a utilidade das cerdas na boca da baleia.
Grandes cartazes diziam que aquela era a baleia que havia engolido o profeta Jonas.
A fedentina desprendida pelo corpo do animal em decomposição era horrível e Paulo Emílio sentiu-se enjoado, querendo vomitar...



Pedro Coimbra
Enviado por Pedro Coimbra em 10/09/2007
Código do texto: T646078

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Sobre o autor
Pedro Coimbra
Lavras - Minas Gerais - Brasil, 68 anos
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Pedro Coimbra