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VOCÊ ENFIM...

       Com passos tristes e cansados caminha cabisbaixo por entre as arvores da solitária alameda. A penumbra da noite contrastava com a de seus pensamentos. De onde viera aquele vazio interior? De onde surgira aquela angustia e solidão? Por mais que tentasse não encontrava uma resposta convincente á sua pergunta.
      Atravessou a rua deserta,assim como deserta estava sua vontade,sua rotina, seu anoitecer... Passou ao lado da praça. Um casal de namorados nem percebeu seu olhar de encantamento e de inveja sobre eles. Como gostaria de estar nessa situação... Com a pessoa amada em seus braços... sem se preocupar com os olhares perscrutadores dos transeuntes.
      Ainda totalmente absorto em seus pensamentos; não percebeu que tinha se detido por um bom tempo a olhar o casal. Dando-se conta disso, prontamente se pôs a caminhar, e, não tinha idéia de para onde desejasse ir... Isso não importava no momento; só o que queria realmente era vagar ao léu. Não havia nada em sua mente que não fosse o vazio da torturante saudade...
       Acelera o passo; observa as pessoas a vaguearem,assim como ele, sem destino, sem propósito, sem saberem para onde ir... Vê um rapaz conversando ao celular; e nota-lhe a total falta de personalidade, nada tinha além do celular para inserir-se como “gente” em meio às pessoas ao seu redor... O celular de ultima geração era todo seu cabedal, sua personalidade, seu interagir com o outro... De que serve tanta modernidade? Talvez a juventude pós-Mouse, esteja mais perdida diante da enxurrada de informações do que minha jurássica geração pensou...
      Quando se da conta, esta defronte ao trabalho. Atinou em ir ver umas fotos que mandara uma amiga scannear para ele. Queria guardá-las em formato digital. Entra como se nunca ali estivesse tido antes... Não encontra a pessoa.  Quando se vira para ir embora; o telefone toca. Alguém da secretaria atende. É para você! Surpreso, atende sem muito entusiasmo. Alô!
      Sua fisionomia transformara-se totalmente. Agora ele é só sorriso, nada mais de saudades, tristeza, solidão. Ele agora irradia alegria e contentamento. Fala por alguns minutos ao telefone, todos ao redor percebem a mudança, e sabem que, á voz do outro lado da linha tinha o poder de tirar de dentro de sua alma, todos os dissabores do dia, toda melancolia e decepções acumulados nos últimos tempos.
      Abraça á todos. Deseja-lhes uma ótima noite e, bailando com um pássaro que acabou de ganhar a sua liberdade, sai, displicentemente a cantar Moon River, como se todo o encanto do mundo tivesse lhe invadido a alma naquele mágico instante...



     
     
Leilson Leão
     
Leilson Leão
Enviado por Leilson Leão em 10/09/2007
Reeditado em 11/09/2007
Código do texto: T646868
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Sobre o autor
Leilson Leão
Euclides da Cunha - Bahia - Brasil, 51 anos
950 textos (70142 leituras)
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Leilson Leão