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o escritor

Era o que mais admirava em si mesmo, essa capacidade de contornar as dificuldades aparentes, essa habilidade de transformar os problemas em soluções. É como um suprimento da sua própria alma, adequar-se às situações, fazendo da vida um simples lugar pra se habitar. Embora a solidão fosse um de seus maiores inimigos, por vezes, era sua mais perfeita companhia. Apenas ela o entendia da forma como buscava ser compreendido, mas também o condenava a tantos sonhos, a tanto saudosismo. E nada se tornava ruim por muito tempo, essa felicidade que encontrava em seus sorrisos refletidos no espelho o enchia de vida. A luz do sol rejuvenescendo seus planos durante o dia; o céu imenso de tantas estrelas o embarcando numa viagem não proporcionada por qualquer agência de turismo. Seus dias parecem curtos demais, as 24 horas já não cabem na sua rotina diária, esta tão cheia de autenticidade, tão peculiar, tão bela e tão preciosa. E numa dança de palavras, seu cotidiano embalado por trilhas sonoras capazes de emocionar qualquer estereótipo de platéia, seu corpo parece não sentir o efeito da gravidade e traça espaços inimagináveis. Seus olhos refletem um brilho que parece extraído do orvalho das flores que tanto admirou nos jardins por onde plantou as sementes únicas da bondade e do amor. E por mais que previsse seus atos como verdadeiros clichês, por não serem assim tão grandiosos, tem consciência de que há clichês verdadeiros e tão profundos como a sua personalidade, que podem até dizer pouco, mas que de tão intensos viram cor. Esse sujeito, a princípio tímido, guarda uma lenda jamais conhecida, sob codinomes incorretamente pronunciados, que se denomina ‘estrago do gasto’. E sabia que por mais que escrevesse seus sentimentos, ou descrevesse os momentos, os infindáveis sonhos e o seu ponto de vista acerca do mundo, nunca iria encontrar um ponto final para os seus textos; seu fiel espectro de escritor jamais sucumbirá, ainda que uns dias sejam nebulosamente parcos de criatividade, afinal de contas o seu vício de viver é o verdadeiro enredo da sua peça bem tramada, do seu circo, do seu hospício.
Daniel Feitosa
Enviado por Daniel Feitosa em 10/09/2007
Código do texto: T646956

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Sobre o autor
Daniel Feitosa
Recife - Pernambuco - Brasil, 29 anos
6 textos (203 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/08/17 21:25)
Daniel Feitosa