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Minha inspiração

Recebi um e-mail simpático de uma colega de letras e ela me perguntou onde encontro inspiração para as coisas que escrevo. Eu estava atrasada, com gente na minha sala querendo falar comigo, pendurada no telefone e só escrevi: em Rocky Balboa, dei um enter sem querer, antes de explicar.
Ficou chato.

Mas... Bum! É verdade.

Claro que a inspiração vem de dentro. A letra sempre está pronta. Às vezes precisa de alguma lapidação, mas ela já está lá, existe, está formada. Faz parte do que sou. É o que sou.

Poderia dizer que encontro inspiração num monte de cara bom aí, nos mestres, só pra valorizar, essas bobagens, mas sou o que e quem sou, então, é na raça mesmo. Nos grandes mestres busco outras coisas, outra forma, a expressão da alma, suas dores e porque eles escreveram dessa ou daquela maneira. O que os motivava, qual era a realidade da letra deles. Mas a inspiração não vem daí e me serve apenas para que eu possa compreender o que sinto, como sinto e o mais importante: porque sinto dessa ou daquela forma numa mesma cena em que outros sentiam diferente.

Já li muito e continuo lendo muito. De Neruda à bula de remédio. De gibi à Bíblia. De colegas de letras anônimos, famosos e o que mais encontrar, de física quântica à quiromancia, de tarô aos mistérios das geleiras, do esotérico ao esdrúxulo, de leis às ervas da floresta. Houve um tempo em que eu não dormia, coisa de uns 10 anos, e a médica me perguntou se eu lia muito e constatou que meu cérebro tinha excesso de informações e por isso não "desligava". Me proibiu de ler qualquer coisa que não fosse necessária, apenas o indispensável. Continuei lendo, claro, apenas suavizei e a coisa toda ficou boa. Só que ler, ouvir músicas, pegar uma deixa aqui e ali, inspira, mas a minha inspiração, de fato, clareia nos filmes do Rocky.
Gosto de lutas, mas não é só isso que encontro ali. Desde o primeiro filme que vi no cinema (cabulei aula, só pra variar), e foi uma das melhores cabuladas que dei; senti o impacto do ensinamento. Depois disso, quando o filme foi pra locadora, comprei e fui comprando todos, pagava um preço exorbitante na época, mas valia cada centavo e continua valendo.

Quando a vida me dá alguma rasteira, quando algo desanda ou ainda, quando posso estar cometendo algum erro de pessoa ou julgamento, quando a letra trava e não há cinzel que a lapide, pego qualquer um dos filmes dele e assisto. Ali encontro fidelidade, amor, entrega, noções de solidariedade, de luta (não o boxe), de perseverança, de conduta, integridade, coragem, honestidade, valores, garra e muitas outras lições. Pronto, a letra está lapidada e qualquer cisco me serve de inspiração porque meu elemento interno está suprido de coisas que não devo esquecer.

Aí, me dou o direito de escrever putaria, coisa séria, política, infantil, bobagens ou o que quiser, porque a letra flui, ela está na minha experiência de vida, nas minhas emoções, sentimentos, sensações, amores, paixões, desejos; todos garantidos no patamar mais alto do meu ser como ser humano. O que me torna inabalável quanto aos outros e-mails deselegantes que recebo, aos comentários depreciativos, às fofocas, às pessoas que me enganam. Isso tudo torna-se lixo mental e não armazeno, porque estou lá no alto, depois de subir todas as escadas, com os braços levantados e suada, mas satisfeita por ter conseguido mais uma.

Tananamm tananammmmm...


Renan Calheiros acaba de ser absolvido da acusação de quebra de decoro, agorinha às 17:18. Já pensou se eu me inspirasse nisso?
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 12/09/2007
Reeditado em 12/09/2007
Código do texto: T649591

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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