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Surreal

Ficou  calma, tentou ser natural. Nada deu certo. Como conseqüência bem natural na vida de uma pessoa surreal, conseguiu voar bem alto  numa das mais importantes avenidas do país, num belo dia  ensolarado, saindo de um quadro de Dali, com uma linda calça  rosa e vermelha de muito, muito sangue  (sangue vermelho e não azul,  pois não era nenhuma Princesa). No asfalto sentiu toda a solidariedade de seu povo, naquele  lindo dia de primavera. Viu muitas gravatas (peças muito engraçadas do vestuário, pensava...) e celulares (peças muito irritantes dos dias modernos, pensava...)  e pessoas muito, muito  bonitas. Surreal... Alguém falou em  Emergência, Bombeiros. Mas Guerrilheiras não ficam no chão esperando socorro. Precisava levantar,   prosseguir sua luta. Levantou sorrindo por cima do salto, por cima da dor que sentia,  agradeceu toda a solidariedade recebida de seu povo e viu a cara surreal de todos os engravatados e do vendedor de mate ou coco ou  qualquer coisa que não sabia, mas que tinha gelo, muito gelo pra colocar em todas as lesões sofridas.De uma senhora muito elegante que segurava seus pertences. Tudo era  surreal naquela cidade.  Surreal conseguir levantar, caminhar como se nada houvesse ocorrido. O celular tocava seus toques personalizados. Sabia exatamente reconhecer todos os toques, mas tinha que continuar caminhando, tinha que comprar band-aid, água oxigenada vol 10 (não vol 20, para os seus fios dourados), uma calça nova pra enfrentar outra  batalha... Precisava retornar à base, pegar o casaco, uma pasta. Todos estariam na base, menos o personagem principal da história. Sentia vontade de chorar. Tomou uma dose tripla de Dipirona. Falou um monte de bobagens, como sempre fazia.  Nenhum Amigo pra contar toda aquela surrealidade ocorrida... Seria contada  com outras  tintas, sem  nada de surreal para alguém que tem um santo muito forte. Tem mesmo muita sorte  este alguém pra quem a história surreal não seria contada...Para o personagem principal, desejava também muita sorte. Estaria sempre torcendo por ele, em qualquer lugar, do presente ou do futuro, mas deixaria no  passado  todas as histórias que ocorreram e todas as que não ocorreriam. Nada mais poderia  mesmo ser alterado.  O surreal seria sua realidade.


Clara Nogueira
Enviado por Clara Nogueira em 29/10/2005
Reeditado em 11/07/2008
Código do texto: T65151

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Sobre a autora
Clara Nogueira
Guapimirim - Rio de Janeiro - Brasil
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Clara Nogueira