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Hienas & Pessoas


A célula-mãe da sociedade é a quem cabe preservar valores que foram conquistas éticas formatadas na história do desenvolvimento social. Esta célula, que já sofre os ataques de outras confrarias, vive ultimamente perdendo seus anticorpos. Putrefazendo aos montes as últimas reservas de sua guarda das hemácias dos bons princípios nos embates com a nova onda de “virus-valores” que impregna e já se cristalizam nos costumes.
O grau de sofisticação com que esta célula tem sido atingida é de tal forma insinuante que consegue transformar, transfigurar, distorcer fatos a ponto de transformá-la em massa de manobra de quantos estejam empenhados em confundi-la usando principalmente dos meios de comunicação, que por sua vez, raramente escaparia à reprimendas por conduta permeada por interesses de sobrevivência ou de mero crescimento.

Uma hiena não deveria ser execrada pelas outras da espécie pelo princípio da auto preservação. Qualquer pessoa de bom senso percebe que seria uma injustiça animal. Elas certamente não o fazem. Vamos admitir que as hienas tenham inteligência e vivam disputando cargos políticos. E que nessa disputa um grupo de hienas contrárias ao grupo ora dominante acusem uma de suas líderes de ter, imaginem vocês, comido carniça! A imprensa noticiou! A hiena acusada se debateu negando esta vergonha e jurando não entregar o cargo sem que houvesse provas cabais de sua indigesta ingestão, enquanto as hienas acusadoras se desdobravam em esmiuçar os detalhes e as circunstâncias em que tal refeição ocorrera. Formara-se então a Comissão Pelo bem da Integridade (CPI) que investigara e concluíra tal delito alimentar. A opinião pública foi mobilizada, e enfim formou-se um consenso grupal de que deveria haver uma votação na qual se pleiteasse a destituição da hiena ré. Acontece que ela foi absolvida. Provavelmente porque parte do grupo de hienas percebeu que não valeria a pena condená-la se eram da mesma espécie e, por conseguinte, sujeitas às tentações que eventualmente possam ter contaminado a líder em questão. Sem contar que, parte das hienas que a absolveram, pretendem se beneficiar do favor concedido, como é próprio das hienas de todas as tendências, mas que, tal como fazem com os cardápios, mantêm sob sigilo este costume.

Bem, como fábulas pouco ou nada têm haver com o comportamento dos seres humanos seria desnecessário ficar falando que seus valores pudessem ser inadvertidamente imitados, até porque, o público humano não seria tão ingênuo de pensar que as pessoas que os representam não saíram de dentro de suas células-mãe e que não as alimentam com o pão e o circo dos quais desfruta.
Edbar
Enviado por Edbar em 14/09/2007
Reeditado em 14/09/2007
Código do texto: T651751
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Edbar
Recife - Pernambuco - Brasil, 66 anos
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