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Tarde de Sábado

                           
                   Em frente à página em branco, os pensamentos se vão, o cansaço toma lugar à imaginação e o jeito é buscar o momento da palavra lá no fundo das lembranças.
                   Pois é; lembrança todos têm. Nem todas são possíveis de transcrever, mas todas são capazes de fazer sentir. Acredito que são elas, que por muitas vezes, nos remetem por instantes a lugares da infância, onde as cores, os cheiros e as descobertas eram realmente de entorpecer e aguçar a curiosidade.
                  Não importa onde se esteja, com quem se esteja, elas vêm como um resgate silencioso e eficaz da nossa solidão.
                  Quem numa tarde modorrenta,  já não sentiu  no toque da brisa a lembrança de uma tarde igual, ou no cheiro da terra molhada depois da chuva, o prazer indescritível de correr descalço?
                   É isso aí. A vida corrida, que tira o nosso tempo, que encurta nossos dias,  que nos apressa a ponto de tirar nosso sono, ser-me-ia de todo insuportável sem a certeza destes pequenos lampejos de felicidade e poesia.
                    Disse nossa solidão? Peço desculpas: minha solidão, pois tenho como certo que cada um é dono da sua  em particular.
                    Talvez esse seja o motivo pelo qual sempre me deixo acompanhar pela solidão de outrem, sem nunca adentrar na alheia, ou permitir que habitem a minha. Tais hipóteses a mim parecem insólitas.
                    Não me entendam mal, quando digo que as lembranças me resgatam da solidão, não acho de solidão seja ruim, mas ela é tão particular que só meus outros "eus" podem cirandar comigo.
                    A minha medida esta na medida da minha solidão, do meu silêncio, e nele se contem as lembranças, cheiros, gostos, fantasias, é um cantinho bem movimentado afinal.
                    Assim nessa tarde modorrenta de sábado, com o cheiro úmido do ar prenunciando a chuva, deixarei me levar por mim mesma, sem pressa, sem angústia, sem tempo.
                    Sabe o que mais: vou é pular amarelinha, brincar de roda, jogar queimada, ser feliz nem que seja só agora!
ana jacinta
Enviado por ana jacinta em 15/09/2007
Código do texto: T653712

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Sobre a autora
ana jacinta
Curitiba - Paraná - Brasil
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