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BENÇÃO DOS CÉUS

                       Sílvia Purper.

Cai uma chuva fina, daquelas que penetram a pele, como se quisesse nos molhar a alma.  Com ela, voam as folhas caídas, avermelhadas, típicas do outono.  É como se a chuva nos livrasse das culpas, dos anseios, das dúvidas, de tudo aquilo que nos aflige e perturba.
Deito na grama, deixo que ela me molhe, me liberte, sentindo toda dor do mundo ir embora com ela.  Sinto-me parte da terra, parece que crio raízes, fixo-me, sem coragem de seguir meu caminho; querendo me livrar dos pecados que afligem a humanidade.
A sensação de liberdade me domina e consome, ficando cada vez mais leve e radiante.  Parece que a chuva tem o poder de lavar todos os males do mundo, afastar tudo aquilo que não podemos enfrentar, limpar todas as almas.
Vontade que sinto de dançar, pular, cantar, correr, tudo aquilo que me faz feliz, que me completa; pés descalços, roupa molhada, grama viçosa, silêncio, eternidade.  Cheiro de terra molhada, vibrando, pulsando, querendo explodir em vidas novas, mostrando que renascerá ainda mais forte e vibrante que antes.
Nunca deveria parar de chover; essa garoa, que tanta força transmite, é dádiva divina, início de vida, final de tristezas; promessas de tempos melhores, mais fartos, grandes colheitas, maiores alegrias.
Parece que sou parte desta chuva, deste cheiro, desta vida.  É assim que me sinto viva, verdadeira, completa, com uma alegria difícil de conter.  Não quero que pare de chover; preciso disto tanto, quanto do ar que respiro; mas a sensação é mais forte, completa; difícil superar todas as alegrias que ela me transmite, impossível encontrar uma força maior, mais forte.
Chuva que me faz sentir um amor tão grande, que é como se todas as pessoas do mundo fossem felizes, completas, cheias de alegrias, apenas pelo fato de estarem vivas e molhadas pela chuva.  Cada chuva que cai, mais forte me sinto, maior a satisfação por estar viva, e por ser abençoada por ela.  Que possa eu sentir sempre, esta alegria e satisfação que me invade, quando cai a chuva e eu me deixo molhar, sem restrições.

Visitem meu site: www.silviapurper.bio.br
Silvia Purper
Enviado por Silvia Purper em 15/09/2007
Código do texto: T654102

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Sobre a autora
Silvia Purper
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Silvia Purper