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"O calo do Poeta"


Hoje pela manhã notei alguma coisa diferente no início das nádegas. Não dei importancia! À noite, comecei a enviar alguns textos para os meus amigos e ví que era coisa para se cuidar.
Era um calo zangado. Ficou irritado de tanto ser torturado pela minha ansiedade e má postura!

O pouco tempo que tenho para divulgar os meus textos, me torna tenso. Não sei ficar sentado correto na cadeira, viro, reviro, entorto, nauseio!
É o medo que alguem la do outro lado, o "meu" leitor, esteja gozando os meus prováveis versos, e sinto uma angústia insuportavel.
Tenho receio de estar incomodando, por querer ser um "poeta à força".
Isso me preocupa, me faz perder o sono por alguns motivos:

Escreví " O ratinho e o garrafão de agua mineral ", para alertar sobre a leptospirose e orientar sobre a sujeira dos garrafões de agua mineral: Ninguem entendeu! Pensaram que era sacanagem!
Só viram o bacanal de ratos, o essencial ninguem notou!

O " Condomínio dos pássaros " é um texto poético e tem valor:
( Pensei que fosse uma lição de ecologia ). Observadores de aves empalhadas deram em cima, de pauladas - Acreditaram que eu estava anunciando a dizimação da espécie, com água e açucar.

" Toda nascente é sagrada " é um hino de amor às nascentes!
Nenhum dos nossos bravos ambientalistas comentou.
Nunca ví um texto decente a respeito. Escreví um: Fiquei humilhado! Nem os nossos " Gloriosos " ecologistas?

Será que sou realmente ruim, tragicamente ruim, ou vivemos uma perversidade cultural? Um enlouquecimento de ideias. Houve até fuga do nosso capital espiritual?

Gegê na cultura, não estaria pré-anunciando a derrocada da nossa civilização tribobó?
Nos convidando para as cavernas?

Às vezes precisamos aprender a interpretar os códigos secretos da existencia: Talvez alguma coisa inteligente esteja querendo me dizer: Pare! Vá cuidar do seu pé de alecrim, plantar uns pés de banana, alguns de bambú perto da nascente, para refresca-la, e aumentar o volume de água:
A poesia é uma arte que não lhe pertence!

Passei tintura de violeta genciana. Cura todas as minhas "ziquiziras". Se não melhorar nos proximos dias, é um bom sinal de que devo poupar-me dos meus pobres versos!

Terei a gloria de Petrarca trazendo à luz os sonetos imortais da mãe Itália, ou serei apenas um pardal nervoso cantando a imortalidade do miôlo do pão?

" Non trovare " - Silenciarei a minha pena. Darei descanso à minha musa!
Penso seriamente abandonar, a doce ilusão de ser poeta!.-


Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 17/09/2007
Código do texto: T655980

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Sobre o autor
Jose Balbino de Oliveira
Vitória - Espírito Santo - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/10/17 18:31)

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