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O mar

O MAR

“O mar quando quebra na praia, é bonito, é bonito...”

O mestre Caymi que entende e fala tanto do mar não se expressou com outra palavra, mais forte que: é bonito, é bonito...É muita pretensão minha dizer que eu poderia ir além do poeta mas, se não fosse a minha ousadia, eu não estaria onde estou hoje, com um livro de poesias e crônicas publicado. Minha audácia me leva a ir além. Eu afirmo que, para mim, o mar é a imagem visível do Deus invisível. Nunca o ser humano conseguiu dominá-lo e acredito, jamais o conseguirá; mas convive com as dificuldades impostas por ele e recebe sua recompensa no alimento que tira dele. Também a Deus, nós tentamos enformá-Lo para nos servir. E Ele, mansamente escapa da embalagem e nos mostra que a Vontade Dele é soberana. Assim é o mar: bravio, fustigante, ondas enormes que podem nos encaixotar (em vez do contrário), correntezas que nos arrastam para o fundo, cada vez mais fundo... O Deus do Antigo Testamento, Javé, era percebido assim pelo povo escolhido: O Todo Poderoso, que os tirou das terras do Egito onde era escravo. Talvez uma pedagogia de Deus e do mar. Mas, outras vezes, quando paramos na beira, ondinhas mansas lambem os nossos pés. Isto é a imagem do colo de Deus, sarando nossas feridas e enxugando nosso pranto. Hoje o mar estava bravo; alguém deve tê-lo desafiado e ele se enfureceu. Como eu o respeito, não entrei, embora suas águas estivessem transparentes e frescas; não estavam geladas. Vi pessoas mais longe do que eu tinha ido e tinham a água pela cintura. Pensei: talvez fosse bom refrescar minha cabeça, dar um mergulho. Foi eu ter este pensamento e ele se enfureceu de tal forma que uma onda, bem grande, quase quebrou em cima de mim e teria feito isto se eu não tivesse corrido  para trás.
Está bem, amigo, hoje eu me contento com os pés e pernas molhados, mas se temos amor um pelo outro, permita que amanhã eu possa cumprimentá-lo com um abraço apertado, de peito aberto.
Fico pensando também na comparação do mar com um pai. O relacionamento pai/filho muitas vezes é como o mar conosco. Mostram o perigo e, se o filho insiste em fazer o que pretendia, mesmo sendo alertado, o pai tem de castigá-lo. Os salva-vidas avisam se há correnteza e sem nós, como crianças teimosas, insistimos em experimentar, comprovaremos na própria pele que bater com a cabeça no muro dói.
A natureza tem suas regras, assim como a sociedade. E é exatamente isto que está acontecendo. O homem a desafiou e a tsunami (dois terços do planeta é formado por água) toma o que lhe foi tirado e muito mais porque, o refluxo é mais forte que o fluxo. Na sociedade, os infratores têm seu castigo de acordo com seu crime. Ou, pelo menos, deveria ser assim. Em outras palavras, a toda ação acontece uma reação igual e de sentido contrário: Lei de Newton.
Mas transportando esta lei para o mar, a reação, embora de sentido contrário, não é de mesma medida que a ação. O mar é sempre mais forte e mais poderoso que nós. E porque não podemos conviver bem com este fato? Porque precisamos sempre provar que somos mais fortes que o outro; ou que os outros; ou que a natureza, ou que Deus? Que vantagem levamos sendo fortes, além de ficar só? Todas as vezes que tentamos mostrar ao outro a nossa força, mesmo que fictícia, o resultado é o mesmo: batalha, embate, confronto e?... Lucro, vitória? Não vejo.
Quero terminar esta crônica numa oração ao Mar: Senhor, a nossa convivência é maravilhosa. Eu usufruo do nosso contacto; a nossa troca de idéias; a vossa experiência me faz aprender e aprecio este entrosamento. Que ele se torne cada vez mais forte e mais denso. Como aconselhou o Papa João Paulo II, que eu entre cada vez mais em águas profundas e confie que o Mar que me acolhe me proverá de tudo que eu preciso. Amém.

Gilda Porto
Enviado por Gilda Porto em 18/09/2007
Código do texto: T657953
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Gilda Porto
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