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Relógios.. tempo...

Aquele relógio, bonitinho, cheio de pelúcias e Bibelôs. É ele que eu combato, aprendi a combater. São eles os ponteiros que no seu tic-tac alucinado, frenético e metódico que dominam nossas emoções e vontades. Ainda que utópico, gostaria que meu dia tivesse mais horas, assim, poderia ver todos meus amigos, viajar para a praia e ainda dar tempo de ir na escola! O tempo é nosso carrasco nesse mundo tão competitivo, não podemos dormir mais, ou então não seremos o primeiro na fila do emprego. Não posso conversar pausadamente da esquina com aqueles amigos de infância porque o ônibus já está vindo e o motorista já está atrasado!
Ah, é o tempo o responsável pelas nossas mentiras! Falamos no trânsito horrível, na biblioteca que já estava fechada, do papel que não foi enviado porque o correio estava em expediente interno.
O tempo separa casais, corrói amores. Mas é ele também, o sábio, o amigo que apaga nossos erros, atenua nossas cóleras, dissolve nossas mágoas.
Vivemos em conta desses imperiosos tic-tacs, em conta dos despertadores que acabam com nossos mais belos e aconchegantes sonhos. As horas, os minutos e os segundos decidem o que podemos e o que não podemos fazer, você não pode esperar seu namorado e dizer que o ama porque senão chega atrasada do emprego, então ficará cada segundo na hora-extra. Você não pode experimentar aquela sobremesa que praticamente salta do balcão sobre seus olhos porque o horário do almoço não permite.
Se a sociedade é comandada por esses ora discretos, ora sinuosos relógios, devemos suportá-los, ao menos. Agradeço o fato de ser brasileiro, assim sempre damos um “jeitinho” nesses segundos velozes. Coitados dos britânicos, essa pontualidade deve ser um carma para os ingleses contemporâneos, que herdaram uma tradição incompatível com o ritmo atual. E assim, quem sabe amanhã, você não poderá aproveitar todas essas coisas que hoje o carrasco não permitiu? Aproveitemos cada passadinha dos ponteiros, para falar o que sentimos lograr essas máquinas, fazer nosso tempo render, de preferência juntos das pessoas que amamo
Dalto Barroso
Enviado por Dalto Barroso em 19/09/2007
Código do texto: T659394

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Sobre o autor
Dalto Barroso
Sarandi - Rio Grande do Sul - Brasil, 27 anos
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Dalto Barroso