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Relacionamentos contemporâneos?

† Relacionamentos I

Ainda agora enquanto andava na rua de minha mórbida cidade avistei um casal. Mas não transmitiam essa euforia do amor, esse brilho nos olhos, esses risos, tão pouco trocavam confidências aos sussurros, nem de mãos dadas estavam! Ela mais alta, morena, arrumada como quem vai à um passeio e ele um pouquinho mais baixo, homem marcado por uma educação que não leva em conta o conhecimento e o planejamento. Ele jovem, ela ainda mais jovem. Não estavam de mãos dadas e cada um tomava um sorvete, mesmo estando lado-a-lado parecia que cada um encontrava-se num extremo e entre eles um enorme abismo de palavras não ditas, desilusões e esperanças partidas.
Esse casal mostra e ilustra a realidade de tantos outros. Jovens de quinze ou dezesseis anos, seduzem-se com a vã esperança de sair de casa e ter uma vida melhor, uma vida em que o marido com um salário mínimo poderá suprir-lhes todas as necessidades e elas serão as rainhas do lar, donas absolutas da verdade, poderão sair de casa e voltar a hora que desejarem, uma vida utópica, fantasiosa.
A perspectiva não é essa, o amor não resiste às dívidas. A elas são impostas o sexo, os maridos não querem saber de dores de cabeça, desculpas, apenas buscam saciar o seu desejo de homem e pouco a pouco o outrora belo corpo de garota na flor da idade como diria vovó, deforma-se. Elas engordam, engravidam e terminam a vida sem grandes expectativas em um casebre, quando na verdade achavam que seus maridos a transformariam em condessas, ou melhor, em nobres do Tijuco, como feito a Xica da Silva.
Ainda existem aquelas que após dez anos de frustrações e vários filhos, resolvem pedir a separação. Sem estudo, viram as famosas domésticas, algumas se casam novamente. Arrependem-se, pois enquanto deveriam estar estudando, preocupando-se com o cabelo e as unhas, estão debruçadas na janela de um casamento extremamente inconseqüente assistindo a vida passar, os anos passarem e as primeiras rugas e cabelos brancos surgirem...
Um outro caso a parte, gerador desses casamentos que não passam de uma casinha de bonecas são as crenças e teorias religiosas. Essas reprimem, passam o ideal do único e eterno amor, e assim, os jovens casam-se em tenra idade. Apenas pela curiosidade, pela vontade de saciar todas as vontades e crendo que Deus proverá todas as coisas. O amor acaba e ambos são obrigados a sustentar um casamento perante a sociedade, caso contrário tornar-se-ão a picanha do Diabo, arderam em um inferno com direito a Demônios de todos os tipos...
Ainda agora vejo um casal, diferente, com brilho nos olhos, roçarem as pernas, trocando carícias e penso: Qual é o segredo do casamento feliz? Do infeliz eu já sei, resta-me agora escrever sobre esses relacionamentos fabulosos, capazes de causar inveja as fábulas dos Irmãos Grimm.
Dalto Barroso
Enviado por Dalto Barroso em 19/09/2007
Código do texto: T659396

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Sobre o autor
Dalto Barroso
Sarandi - Rio Grande do Sul - Brasil, 27 anos
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Dalto Barroso