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Promessa quebrada


Eu sei que prometi não chorar. Mas não está sendo fácil suportar esta
saudade imensa e esta certeza de que jamais poderei olhar novamente dentro
dos teus olhos, sentir o teu perfume e te abraçar daquele jeito que eu
tanto gostava. Não está sendo fácil suportar o silêncio do meu mundo
vazio, enquanto todos os meus sentidos gritam pela falta do som melodioso
da tua voz. Não está sendo fácil suportar estes dias cinzentos, repletos
da neblina da tua ausência...
Eu sei que prometi ficar apenas recordando aqueles momentos felizes que
passamos juntos, durante o curto tempo que Deus permitiu que tu fosses a
luz que iluminava a minha vida. Mas quando fiz aquela promessa eu ainda
cultivava dentro do meu coração uma esperança de que o destino não te
levaria. Eu não conseguia entender porque o coração de alguém tão jovem e
tão especial tivesse que parar de bater antes da realização de todos os
seus sonhos. E prometi não chorar, também, para não te ver chorando
naqueles dias em que as forças começaram a te abandonar...
Confesso, agora, que quase pedi para Deus te levar: eu já não suportava
mais te ver sofrendo por causa daquela maldita doença. Eu já não suportava
mais ver os teus olhos meigos transbordando de tristeza. Eu já não
suportava mais saber que os recursos da medicina não estavam atingindo os
seus objetivos. Eu já não suportava mais mentir para mim mesmo que um
milagre te devolveria a vida que, visivelmente, estava fugindo de teu
corpo enfraquecido. Eu não suportava mais ter que ficar fazendo tantas
promessas que não conseguiria cumprir...
Eu sei que tu estás, agora, num lugar onde não existe sofrimento. E até
imagino que deves ser o anjo mais lindo deste lugar. Tenho certeza disso,
porque guardo na minha lembrança aquele teu jeito de anjo tão especial,
que fazia todos sorrirem quando iluminava o mundo com a luz do teu
sorriso. Mas são exatamente estas tantas lembranças que fazem surgir
nuvens de tempestade dentro da minha alma. E são estas nuvens que derramam
gotas de uma chuva salgada, que desce lentamente de dentro dos meus olhos,
criando rios de lágrimas nos vales do meu rosto.
Eu prometi não chorar. Mas a cruz do “nunca mais” é pesada demais para as
minhas forças. E se não fossem estas orações que rezo constantemente
(muitas delas a gente rezava junto, lembras???), eu já teria sucumbido sob
o peso desta saudade. Sei que vou continuar quebrando a promessa que te
fiz. Mas acredito que Deus vai transformar as minhas lágrimas em pérolas
brilhantes. E são exatamente estas pérolas que vão iluminar o meu caminho,
quando chegar a minha hora, para que eu consiga, mesmo chorando, te
encontrar em algum lugar bonito do infinito. Quando isso acontecer, eu te
prometo que não mais nos afastaremos e que viveremos juntinhos para toda a
eternidade, na paz que Deus reservar para nós. E podes ter certeza, se
estiveres me escutando neste momento, que esta promessa eu não
quebrarei...

Milton Souza
Enviado por Milton Souza em 01/11/2005
Código do texto: T65963
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Sobre o autor
Milton Souza
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 71 anos
67 textos (5902 leituras)
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Milton Souza