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Morte no Pouso do Meio

     Nos últimos dias, o assunto que mais se ouve em nossa cidade é o fato assustador da mortandade de peixes no Córrego Pouso do Meio.
     Em todos os anos de seca intensa espera-se que haja a mortandade de peixes, pela própria falta de água e/ou pela eutrofização da mesma.
     Segundo o Dicionário Aurélio “eutrofização ou eutroficação [do Inglês euthrophication] é o aumento excessivo de nutrientes na água, especialmente fosfato e nitrato, o que provoca crescimento exagerado de certos organismos - comumente algas - e, geralmente, causa efeitos secundários daninhos sobre outros seres. A decomposição microbiana das algas mortas causa esgotamento do oxigênio dissolvido na água e asfixia dos peixes. A eutroficação pode ser natural ou provocada por efluentes urbanos, industriais ou agrícolas”.
Fatos assim têm sido cada vez mais freqüentes em todo o mundo, tanto é que na maior seca já registrada na bacia Amazônia, no ano de 2005, o que mais se viu foram lagos e rios secos, abarrotados de peixes e outros animais mortos (botos, aves, lacertílios, etc.).
     Assim como a população mundial ficou chocada com a seca na Amazônia, nós todos também estamos estupefatos com os últimos acontecimentos em nossa região, pois esse ano nós estamos passando por um dos períodos mais intensos de escassez de água. Basta relermos os últimos jornais e relembrarmos que vários moradores, empresários e autoridades de diversos municípios tocantinenses decretaram publicamente (na televisão ou em jornais escritos) suas dificuldades pela falta de água. Imagens mostrando carcaças de gado morto ou de animais esquálidos sorvendo água suja de pequenas poças lamacentas foram exaustivamente veiculadas nos últimos meses, reforçando debates sobre a importância que cada um de nós tem na proteção do meio ambiente e, em alguns casos, servindo de alimento para críticas voltadas às instituições públicas.
     Mas, mesmo que alguém use excessivamente muitas explicações técnicas, profilaxismos, comparações com fatos do passado, mesmo assim, ninguém conseguirá apagar a dor daqueles que viram “à olho nu” a enorme quantidade de peixes mortos no Pouso do Meio.
     Existem várias explicações para o fato.
     1 - Todos os córregos e rios de nosso município estão com um volume muito baixo de água. Alguns até estão totalmente cortados, tendo ao longo de seu curso apenas alguns poções e poças d’água. A vegetação que esta extremamente seca acumula-se em grande quantidade às margens desses locais. Para piorar ainda mais, a população não coopera e deixa lixo espalhado em todo lugar. Numa situação assim, quando a primeira chuva chega é normal que toda essa matéria orgânica (folhas, galhos etc.) e todo o lixo deixado em local inapropriado sejam carreados para o curso d’água. A enxurrada das Avenidas Goiás, Maranhão, Piauí e Pernambuco corre em direção às Ruas do Setor Jardim Tocantins, carregando todo entulho e até mesmo animais mortos (cachorros, gatos, ratos etc.) para o Pouso do Meio. Além disso, para agravar o problema, a rede de captação de água pluvial desemboca no Pouso do Meio.
     2 – A segunda hipótese trata-se justamente da avaliação da rede de captação de água pluvial. Nesse quesito é preciso investigar se há alguma ligação clandestina nessa rede que possa estar contribuindo para o lançamento de efluentes líquidos que estejam comprometendo a qualidade da água que chega ao córrego.
     3 – A terceira hipótese se refere à possibilidade de que alguém possa ter lançado um produto venenoso na enxurrada ou diretamente nas águas do Pouso do Meio, com a simples intenção de causar prejuízos ao meio ambiente e/ou com objetivos de atingir autoridades e instituições. Tal hipótese, mesmo que pouco provável, não pode ser totalmente descartada.
     4 – A quarta hipótese está relacionada à possibilidade de que algum empreendimento ou atividade potencialmente poluidora esteja funcionando irregularmente e possa ter lançado alguma coisa (rejeitos químicos, efluentes, restos da produção etc.) diretamente no córrego, ou na rede de captação pluvial ou ainda na enxurrada.
     Mas e quanto a resposta para essas questões não chega, o que fazer para que esse problema tão grave não piore ainda mais ???
     A primeira ação que deve ser feita é a limpeza do local, através de um trabalho conjunto da comunidade e instituições, pois ninguém merece ver o nosso Córrego se transformar num cemitério ou num depósito de lixo. Isso tem que ser feito rapidamente, pois se deixarmos que todos esses peixes e animais apodreçam na água, quando outras chuvas vierem, tudo isso vai ser levado para outras partes do córrego, podendo causar mais mortandade em locais que não foram atingidos.
     Outras ações importantes, mas que têm custos operacionais mais elevados, tratam-se da limpeza e redução do assoreamento de alguns trechos do córrego com a utilização de máquinas e dragas, além também da colocação de água em alguns trechos com a utilização de caminhão-pipa.
     Acredito que agora não podemos perder mais nem um minuto, pois se ficarmos de braços cruzados esperando a próxima chuva, corremos o risco de que ela chegue como lágrimas fúnebres da morte do Pouso do Meio.

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Publicado no Jornal Chico, edição n. 37, p. 14, de 30/09/2007. Gurupi – Estado do Tocantins.

Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

Curriculum Vitae: http://lattes.cnpq.br/9410800331827187

Maiores informações em: http://recantodasletras.com.br/autores/salerajunior
Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 21/09/2007
Reeditado em 26/11/2011
Código do texto: T661810
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Giovanni Salera Júnior
Palmas - Tocantins - Brasil
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