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MINHA COLCHA DE RETALHOS

                      MINHA COLCHA DE RETALHOS


          “Das lembranças que eu trago na vida, essa é uma saudade que eu gosto de ter”... Minha avó Dora sentada costurando em sua máquina “Elgin”. Uma máquina preta com detalhes dourados, elegantemente guardada sob um móvel de madeira, com duas gavetinhas, uma de cada lado, onde vovó guardava “carretéis de linhas”, que colocados na máquina Elgin, enchiam suas “bobinas”.  Isso, ao som de suas pedaladas. É! Vovó tinha que pedalar para sua máquina de costura funcionar.
            Era um mecanismo encantador, que me deixava quase hipnotizada sentada no chão ao seu lado. Seus pés pisavam firmes em uma grade de ferro vazado, onde estava escrito o nome Elgin, isso fazia acionar uma roldana, que parecia o pneu de uma bicicleta, envolta por uma correia de borracha que subia até o topo da máquina e se encaixava em uma roldana pequena niquelada que minha avó Dora fazia girar com sua mão, impulsionando assim, a agulha que subia e descia fazendo a linha correr sobre o tecido.
                 Um dia minha avó colocou ao lado de sua máquina, um saco cheio de pedaços de tecidos: Listas, xadrez, poá, lisos e estampados. Acionou sua mágica Elgin e começou a fazer o que marcaria para sempre minha vida: Minha colcha de retalhos. Na verdade ela não era minha, mas foi assim que ficou em mim. A união de diferentes tecidos formando um todo harmônico, com o colorido de um lindo caleidoscópio. Adorava ficar deitada sobre ela, os braços abertos sentindo suas costuras e texturas.
                Trinta e poucos anos depois, minha colcha de retalhos continua igualzinha na minha memória. E o mais importante é que hoje eu sei o que ela significa para mim:
                  Retalhos são pedaços de tecidos que um dia já foram uma peça inteira, possuem o mesmo fio onde tudo começou, no tear, portanto guardam a essência do todo. Uma colcha de retalhos é a união de muitas histórias, de momentos felizes outros nem tanto. Lembra família reunida em volta da mesa, uma boa xícara de chá e o livro preferido. É um abraço de mãe, a mão firme do pai, brincadeiras de irmãos, é comida boa no fogão. Em fim, são sentimentos revertidos de lembranças que compõem o que sou e como sou, assim vou seguindo costurando meus retalhos.

                                                      IAKISSODARA CAPIBARIBE
IAKISSODARA CAPIBARIBE
Enviado por IAKISSODARA CAPIBARIBE em 25/09/2007
Código do texto: T668022
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Sobre a autora
IAKISSODARA CAPIBARIBE
Fortaleza - Ceará - Brasil, 50 anos
90 textos (16297 leituras)
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IAKISSODARA CAPIBARIBE