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INCOMPLETA

Por mais que meus sites de relacionamento estejam repletos de caras sorridentes e supostamente prontas para me ajudarem quando  precisar, não é o suficiente. Mesmo que meu celular esteja com mais de duzentos números grandes e azuis cintilantes. Naquela hora em que a tristeza bate e a carruagem e as roupas da cinderela grazi se desfazem não tem ninguém pra socorrer, alias nem fada madrinha eu tenho. A não ser o estojo de maquiagem e a câmera fotográfica, que congelam imagens falsas, de sorrisos falsos, de um rosto falso e de uma alegria falsa, por que por dentro ta tudo, deturpado e recolado.
Talvez, meu cérebro seja como meu quarto, uma bagunça organizada. Ta tudo, tudo espalhado, mas sempre quando preciso, encontro. Encontro de cara a infelicidade, os tormentos de promessas infindáveis de pessoas medíocres, que um dia eu fui capaz de amar, e de pensar ser essencial pra minha vida.
Quando estava com meu docinho, sentia como se ele me fizesse voar, mesmo triste por desconfiar das suas leviandades eu estava feliz. E o meu erro foi esse acreditar que era ele quem me fazia voar. Só a partir do momento em que reconheci, que possuía as asas e a força da decolagem pude entender o valor, o meu valor! E também meu “desvalor”.
Sabe, sou tão egoísta que só sei dividir a dor com os outros. A felicidade eu prefiro engolir logo, beber rápido, tomar escondida pra não ter que oferecer e nem saberem que eu tenho. Como se fosse um mérito, uma disputa. Quem aqui é mais infeliz e problemática que eu? Era confortante, era segurança pura em ver, pessoas me dando as mãos, com peninha dos meus amores inventados dores latejantes, fraturas expostas aonde, só eu enxergava e reclamava há todo tempo. EU NÃO SEI O QUE É O AMOR!
Gostar de alguém nunca foi tão difícil pra mim e, agora, eu não tenho mais a desculpa do príncipe encantado me esperando. Eu que já não sou princesa florida há tanto tempo. Sou a plebéia de cabelos desgrenhados, vestida com maltrapilhos de hipocrisia. É a vida real, é a minha vida, apesar do linguajar não é um conto de fadas, poderia ate ser, mas eu que pedi tantas vezes a Deus pelo príncipe encantado montado a cavalo branco e de pura raça, com a crina lisinha e alinhada, acabou dando tudo errado. Deus até que me ouviu, mas não direito, talvez ele tenha entendido errado e me mandou um cavalo mestiço com a crina espetada ao invés de um lindo príncipe. Pense, pedi um príncipe e ele me manda um cavalo, acertou no mamífero e errou na questão da raça (apesar de que a ignorância de ambos diferir-se apenas em pequenos aspectos).
Eu sou ainda do tipo, que quer realizar profissionalmente e ainda deseja um amor que seja pra sempre, mas a Cássia diz que o “pra sempre, sempre acaba!
Me irrita tanto a vida girar em torno de um objetivo que, há tanto tempo, eu não consigo alcançar por tantas coisas diferentes. Quando eram eles que não me queriam, que não sabiam como lidar com a minha imaturidade e com o meu frescor quase assustador dos quinze anos, era mais fácil explicar para a menina da imagem congelada da fotografia falsa,  porque ainda estávamos sozinhas, presas às nossas caras e bocas de todas as noites.

Mas passaram os quinze, os dezesseis e os dezoito. Passaram tantos de vocês por mim e ninguém nunca ousou ficar. E eu fiquei tão puta da vida, e com a vida, que resolvi que aqui não mais iam depositar o bichinho da felicidade de isopor que voou tantas vezes seguidas daqui pra não sei onde.

Algumas mulheres, têm o poder de transformar o isopor em chumbo e agüentar para sempre o peso da escolha que fizeram. Mas eu, eu que tanto pedi pra não estar sozinha, olho em volta e vejo mulheres tão cheias de sorrisos desesperados, de olhares caçadores, de detectores de mentiras espalhados por todo o corpo, de inseguranças, de um medo e uma dor constantes por gostarem tanto de alguém que acabam se esquecendo delas porque passam a vida fazendo de tudo e tomando muito cuidado pra não perder quem encontraram pra ficar definitivamente.

Eu, que fui capaz de tantas coisas pra conseguir não ser mais a pessoa incompleta dentro da minha imagem da fotografia, percebo que as minhas verdades mudaram e que, definitivamente, eu não acredito mais num amor definitivo. Porque somos mutáveis, porque eu sou uma idiota que pensa que nunca ira precisar esquecer ninguém, porque a cada novo amor,eu tenho certeza, que esse será o ultimo e que não importa a distância, bairro, cidade ou estado, o sentimento ficará intacto, mas eu quebrei a cara como sempre, e de novo, me sinto sozinha, incompleta desamparada, porque o bichinho de isopor dessa vez não voou, ele virou chumbo mas o chumbo derreteu congelou e petrificou meu coração e eu me sinto incapaz de amar VOCÊ!

Desculpe!
Grazielle Soares
Enviado por Grazielle Soares em 01/10/2007
Código do texto: T676613
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Sobre a autora
Grazielle Soares
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 28 anos
15 textos (3602 leituras)
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Grazielle Soares