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DEUS E O CHIP DO MEU CELULAR.

Mas é claro que sempre é possível fechar o dia na palma da mão. Abrir devagarzinho, só para fechar de novo.  Levantar os olhos para cima e pensar: o que vou fazer com este dia? e não fazer nada...

Ou olhar em volta e deixar o dito cujo escapar, só pela preguiça de ter que, com ele, se ocupar. O dia depende de nós em tudo. O que fazemos com ele é problema nosso. E  o que ele faz conosco também depende de nós.

Hoje, eu tinha um dia inteiro só para mim. Mas as vezes, é tão difícil ter um dia só para mim, porque não sei nem o que fazer comigo, quanto mais com o dia.

  A manhã já batia por volta das 10,30 quando tirei o pijama. Antes, estava aqui, escrevendo o meu artigo que conta um pouco das minhas experiências com Deus. Dei a ele o nome de "Um Deus na Contra Mão." Mas já percebi que o nome de Deus não chama muita atenção aqui no Recanto. Talvez, porque Deus seja o Deus de todos, e cada um já tem a sua opinião formada sobre o Deus que tem.  De quaquer forma, eu quis registrar a minha.
 
Uma das minhas.
 
Deus é tão vasto que não cabe em nenhuma opinião.

Depois disso, percebi, que estava deixando o dia escapar pelo vão dos dedos. Viscosamente, o dia estava escorrendo pela palma da minha mão.

Então, como o médico que corre para socorrer o paciente,  dei-me pressa. Precisava salvar o dia, antes que ele morresse.

 Fui para Umuarama. Para quem não sabe, Umuarama é uma cidade vizinha à que moro. É a maior cidade da região,  num raio de 120 km. Tem um bom comércio, bons restaurantes, boas opções para gastar o dia...  e o dinheiro.
 
Como o dinheiro anda curto, fui determinada  a comprar apenas um celular bem baratinho, com as funções mínimas necessárias. É desses que eu gosto. Celular é para falar e para ouvir e ponto. O resto é acessório.

Eu já tinha um celular, mas antes de ser meu, ele foi da Silvia. Silvia,  é minha filha caçula.  Troca de celular como troca de roupa. Agora usa um tal de Dolce Gabanna, lindo e sensual: quando desliga, uma voz rouquíssima e sedutora, de homem, evidentemente, sussurra: "Dolce Gabanna." Chega a dar arrepios. O preço também foi de dar arrepios e ela está pagando em 12 vezes no meu cartão de crédito. Faço questão de cobrar!

Mas como eu dizia, esse celular antigo, que foi da Silvia, servia-me muito bem. Mas, involuntariamente,  dei-lhe uma queda e a fibra óptica se rompeu. Então, comprei esse que está  comigo agora, bem diante de mim . Comprei e fiz a troca do chip, na loja mesmo. Peguei o chip do celular antigo e coloquei no novo. Simples assim. Fiquei com o mesmo número, a mesma agenda, e o mesmo valor em créditos, que ainda tinha, e que estava escondido dentro do aparelho anterior. Olhando para ele,  que agora era só uma casca, experimentei um pouquinho de ternura e de saudade. De agora em diante, a gaveta seria o seu destino.

Foi só isso. Mas, tchan, tchan, tchan, tchan.... estava voltando para casa,  já na rodovia, quando me veio o insigth: o chip! A partir do chip, veio a luz.

Por causa do chip, eu pensei que nós, quando morremos, jogamos fora a casca.  E vem Deus e recolhe o chip. O chip contém tudo: nossa história, nossos dados, nossas vivências, nosso ser. O chip é reaproveitado, e não perde nenhuma das suas características.  Deus então guarda o chip com ele. Não é fantástico?

Então, neste dia que está quase acabando,  essa escrevente que vos escreve, quer apenas vos dizer:  Deus vai cuidar do vosso chip! E para a casca, a gaveta!
Ana Ribas
Enviado por Ana Ribas em 05/10/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T682330

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Sobre a autora
Ana Ribas
Cruzeiro do Oeste - Paraná - Brasil
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Ana Ribas