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A Garota da Internet - Encontros e Desencontros

    Vejo a foto de uma garota em um site de relacionamentos da Internet; paro, olho fixo para ela e não consigo parar de olhar; não sei porquê, mas não consigo. Depois de ver dezenas de fotografias naquele site, que nada me dizem e em nada me atraem; aquela única imagem daquela garota, parece estar me transmitindo milhares de informações sobre ela. Informações que nem eu compreendo. Clico para ver o perfil dela, mas a página não está acessível. Tento ver fotos extras, também não é possível. "Que diabos!" eu exclamo.
    É incrível a reação que uma única imagem pode causar em uma pessoa. Eu não sabia absolutamente nada sobre aquela garota; não sabia como era a sua voz, nem se era alta ou baixa e também não conseguia perceber direito (pela foto) se era magra ou gorda. Só sabia que naquele momento, queria muito me comunicar com ela, e creio que a dificuldade que a Internet me opôs a isso, aumentou ainda mais a minha vontade. Anotei o nome dela, disposto a continuar a minha busca em um momento mais propício. Quando coloco uma idéia na cabeça é assim, não há nada que me faça mudar. Cismei com ela e sei que vou procurá-la em qualquer canto dessa Internet. Essa garota mora aqui, na minha mesma cidade, e pode estar tão perto... tão perto e parece tão distante. Talvez eu até já tenha passado na rua ao lado dela, mas pode ser que isso nunca tenha acontecido. Talvez um dia eu passe na rua ao seu lado, e talvez eu nem a perceba. Mas pode ser também que isso nunca aconteça.
    A minha vida, como a de todo mundo, é cheia de encontros e desencontros. Meses antes, eu estava conversando com uma garota em um bate-papo por telefone. Eu entrava quase todos os dias naquele chat, para conhecer pessoas legais (mulheres), em busca de uma boa conversa e principalmente, de um número de telefone. No início da conversa, essa garota havia me dito que era secretária em uma clínica psiquiátrica. Isso tornou o nosso bate-papo muito interessante; interessante porque ela era secretária, e eu, sinceramente, não sei porquê, sempre senti uma estranha atração por mulheres que ocupam esse cargo.  Como ela trabalhava em uma clínica psiquiátrica, nossa conversa acabou tendo como assunto principal, os problemas humanos, e eu me aproveitei disso para criar um vínculo emocional com ela. Falei tudo sobre mim que jamais havia dito a alguém, e só falei porque percebi que ela de modo algum iria desligar aquele telefone na minha cara. Mas tudo isso tinha um propósito: conseguir o número do telefone dela;  e é claro que eu pretendia isso, porque depois de tanto tempo ligando para aquele chat, eu finalmente acreditava ter encontrado uma garota interessante. De repente ela me disse que precisava desligar o telefone, porque estava no serviço e a qualquer momento alguém iria tentar ligar para marcar uma consulta. "Esqueça isso!" eu falei. "Seu negócio agora é comigo, esqueça os outros!" Ela então ficou em silêncio, esperando talvez, que eu dissesse mais alguma coisa. E eu ia dizer mesmo, ia dizer a ela para que esperasse um pouco mais, para que me desse o número de seu telefone, nem que fosse o da clínica, e assim a gente continuaria a nossa conversa em algum outro momento. Mas nesse instante, houve um outro silêncio, o telefone ficou mudo, olhei para o aparelho e os leds que iluminavam as teclas estavam todos apagados; a ligação havia caído, não sei porquê, mas era culpa do meu aparelho. Todos os minutos de conversa com aquela garota haviam sido desperdiçados; fiquei enlouquecido. Liguei de novo para o chat e mudei de sala sem parar, tentando encontrá-la. Tudo em vão. Dias depois, pensei em pegar a lista telefônica e ligar para todas as clínicas psiquiátricas que havia no bairro em que ela disse que estava. Mas não fiz isso; achei loucura. Entrei muitas outras vezes no chat e até hoje não a encontrei. Não esqueci o nome dela, nem a idade dela e nada do que conversamos. Disse a ela que não esqueceria, que nunca esqueço das pessoas com quem converso. Ela, ao contrário, disse que sempre esquece. Vou continuar procurando, por ela, e por aquela garota que eu vi na Internet, e se eu encontrar, pode ter certeza que eu aviso.
Provocador
Enviado por Provocador em 09/10/2007
Reeditado em 05/02/2008
Código do texto: T687834

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Sobre o autor
Provocador
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 35 anos
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