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Retorno ao Éden


                   Hoje há um calor abafado, com um ar enganoso de chuva, abafa tanto que parece que vem tormenta, mas como não cheira molhado não dá para ter certeza.
                No campo a gente sente melhor as estações. É, a palavra é essa mesmo: sente.
               Cada movimento do dia tem seu cheiro particular, sua sensação única, por exemplo: chuva. Quando vai chover chuva mansa dá aquela brisa suave, que toca gentilmente a nossa face, a terra parece que começa a querer cheirar diferente, pulsando e esperando pela água.
              Quando vem temporal, uma tromba d’água, o vento vem acelerado, mexe nas plantas, que parecerem começar a cochichar entre si, buscando a melhor maneira de vergar sem quebrar. E os pássaros, sabidos que são, procuram o melhor lugar para o poleiro.
            Quando passa a chuva, os bichos, especialmente os sabiás e pardais, se alvoroçam, procurando na terra molhada o alimento, e a terra cheira vida, beleza e repouso.
           Seja qual for a estação, a natureza sempre traz a certeza que ela contém toda a vida na terra, e que a terra, ela mesma, pulsa sempre em mutação; ela  nos contém, afinal  também somos suas criaturas.
         Se deixar levar por esta sabedoria primeira, é navegar na tranqüilidade, descansar a mente, romper com qualquer isolamento, pois se de nada me acho parte, na natureza sou complemento.
        Parece que com a pressa, a volúpia pelo dia seguinte, do poder, de marcar presença, esquecemos que jamais dominaremos todos os elementos de forma completa, afinal fazemos parte tão somente.
      A terra, por ciência da natureza, existia antes de nós, continua existindo apesar de nós, e pode muito bem continuar sem nós.
       Assim, depois dessa falação toda, informando que a chuva ainda não veio, faço um convite bem “do interior”, que como um capiau do sitio sentemos na soleira da porta, coloquemos o rosto pra fora da janela e entreguemos nossa conturbada alma nos braços dos sentidos da chuva, da terra molhada, da brisa, do vento, das plantas tagarelas, e deixemos que natureza nos coloque de volta ao paraíso.
      Que sejamos por instantes os habitantes do éden, que desconfio apenas esquecemos o endereço.
ana jacinta
Enviado por ana jacinta em 10/10/2007
Código do texto: T688850

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Sobre a autora
ana jacinta
Curitiba - Paraná - Brasil
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