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FALSAS VERDADES - parte 3 - Os falsos homens

    Um homem diz ao colega de trabalho:
    - Sou honesto; trabalho desde os catorze anos, moro sozinho desde os dezenove; nunca pesei para a minha família. Hoje sou formado e tenho um bom emprego; corri atrás dos meus sonhos, não esperei que eles se realizassem sozinhos. - Ele aponta para o homem da mesa logo à frente, e continua dizendo: - Olha só aquele babaca ali, já deve estar há uns cinco anos na mesma função, sem receber aumento algum. É um insignificante que ninguém percebe, vai morrer assim, com um emprego medíocre e levando uma vida medíocre. Conheço um outro cara igualzinho a ele, é um acomodado, não liga a mínima pra nada e não tem dinheiro pra nada. Agradeço a Deus tudo o que eu tenho; Ele me deu a minha casa, o meu carro e todo o meu patrimônio. Agora... Olha aquele cara ali, se ele pelo menos tivesse um pouco de ambição, se ele realmente desejasse alguma coisa na sua vida; se ele pelo menos fosse na igreja...
    E enquanto ele dizia todas essas coisas, o homem ao seu lado limitava-se a balançar a cabeça, em um gesto afirmativo.
    Mas nem tudo ele disse ao seu colega de trabalho. Não disse o quanto foi fácil para ele cursar uma faculdade; não disse que seus avós lhe pagaram todos os estudos enquanto ele guardava o seu dinheiro para divertir-se com os amigos e sair com prostitutas. Não disse que conseguiu o seu "adorado" emprego, porque um de seus tios era amigo do dono da empresa. Não disse que sempre antes de voltar para casa, ele passava na casa da amante; e também não disse, que aos domingos, depois de ir à igreja, ele também passava na casa da amante. Não disse que sempre que chegava em casa e via uma leve camada de pó sobre o carpete, gritava alto com a mulher e às vezes até mesmo lhe dava socos.  Não disse que batia com o sapato no filho de cinco anos de idade quando ele espalhava seus brinquedos pela sala e chorava no meio da noite porque tinha medo do escuro. Mas nunca esquecia de dizer que tinha orgulho do seu patrimônio, não esquecia de dizer que tinha orgulho de ser um homem honesto e trabalhador, e que não devia nada a ninguém.
    Esse homem realmente existe, e também existe muita gente que o admira, e que o considera um exemplo de cidadão respeitável... e é claro, honesto e trabalhador.
Provocador
Enviado por Provocador em 10/10/2007
Reeditado em 10/05/2008
Código do texto: T689033

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Sobre o autor
Provocador
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 35 anos
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