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Flash

Como um flash que passa em minha cabeça, vou lembrando preciosos detalhes de quando eu tinha doze, onze, dez, nove anos pra trás.
E lá atrás qualquer coisa que aparecia como novidade, era motivo mais que suficiente de contar cem vezes, como aquela piada que nunca perde a graça, como aquela história que nunca sai de moda, como aquele brinquedo que a gente sonhou por alguns anos e ele parece ter caído de paraqueda num Natal daqueles de nunca mais esquecer.
E a cada descoberta um suspiro. E em cada momento novo uma interrogação, uma exclamação, uma pergunta que silenciava nossos pais ou aquelas que esperávamos por alguns minutos pra entender que aquela loucura não tinha resposta e assim saíamos de fininho pro nosso canto.
Naquele tempo era bom ouvir as músicas que embalavam alguns de nossos planos. Um pouco de rebeldia que não fazia tão mal assim, era só mesmo a vontade de ser parecer com alguém célebre, mas no fundo mesmo sem admitir, a gente queria era se parecer com os pais. Depois de um tempo, a gente até admite, naquela época seria motivo pra brincadeiras e gozações.
A gente mal sabia a dureza da vida, a espera e paciência que passaríamos a exercitar, mesmo sem entender muito essa coisa de tempo. Atrás dos olhos dos meus pais sempre ficaram a impressão de que nos poupar de certas dificuldades nos daria mais tempo pra viver melhor. E perceber esse gesto, nem sempre era possível, porque na brincadeira de viver, a maior frustração era não realizar um desejo de ter um simples carro movido à pilha.
Nesse tempo passado onde a visão é que brincadeira e seriedade se confundem e se misturam, aprender é a tônica quando paramos pra perceber o hoje. Lá atrás o máximo que se entende é que a vida é longa, bela e simples e que os adultos é que complicam tudo.
Enquanto o tempo passava sorrateiramente, as feições mudavam, os gostos, as manias e até a voz, mas a molecagem permanecia... Aliás, nunca muda, ainda permanece.
Sentir na pele dor era ver o joelho ralado. Responsabilidade era trocar a água do cachorro e estudar, ou ir à escola que era bem mais fácil.
Ser um bom menino era não xingar, não chamar a vizinha de velha coroca, nem falar mal da vida de ninguém.
Problemas eram tão somente aquelas coisas que não entendíamos e por isso não deveríamos dar opinião, e a explicação que ouvíamos era que criança não entende de problemas de adultos. Era sempre assim, até que o tempo passa e a gente cresce.
Depois de um tempo com os olhos no passado, chego à conclusão de que, seja lá qual for o tempo que passou, as experiências vividas e os valores agregados, tudo já terá valido muito a pena... Ah! E lembrar sempre de como foi bom ter sido criança.
Tiago Alves
Enviado por Tiago Alves em 09/11/2005
Reeditado em 24/11/2005
Código do texto: T69214
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Sobre o autor
Tiago Alves
Macaé - Rio de Janeiro - Brasil, 41 anos
15 textos (1292 leituras)
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Tiago Alves