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ONTEM, HOJE...SEMPRE.

Sentada na varanda de meu apartamento, olhando os prédios de minha cidade ao longe, fico a me recordar daquela que fui.

Mamãe em casa, lavando as roupas, dobrando com carinho as minhas camisetas brancas que já tinham a cor bege, e reclamando baixinho que nem o alvejante conseguia limpa-las, mas logo deixava de se preocupar, pois, se lembrava que o almoço estava atrasado e havia me prometido um bolo de fubá para o café da tarde.

Criança levada, arteira, mas com muita coragem. Coragem essa que hoje ao relembrar, sinto os pelos de meu corpo inteiro  se arrepiar. Moleque, sim moleque mesmo, porque as grandes amizades que fazia eram deles, meninos que chutavam a bola na vidraça da vizinhança, atiravam bexigas de água nos automóveis, pulavam o muro do quintal da vizinha para apanhar as doces jabuticabas,  sem ao menos terem a noção do perigo, e quando éramos descobertos pelos nossos pais, marcas no corpo eram exibidas como troféus, e com direito a concurso para ver teria o maior hematoma.

Depois, ao chegar da escola ,fazia a lição de casa sem reclamar, tinha medo de esquecer, só de lembrar da professora Albertina cobrando a lição com os olhos arregalados, a palavra esqueci jamais saiu de minha boca, terminando,  corria para a rua sem avisar.

Jovenzinha, 13 anos, menina mesmo, brincava de amarelinha, cobra-cega, empinava pipas, de short jeans curto e  camiseta branca, mamãe só avisava para não sair sem os chinelos, obedecia, mas acreditem, voltava sempre descalça, e nunca me lembrava onde tinha os deixado.

Quantos bailes dançantes, ora na casa de um, ora na casa de outro, sonhando com aquele menino do segundo grau, que nunca aceitava o convite para os nossos bailinhos de fim de semana, e imaginando  ele chegando, sempre charmoso e fazendo o convite tão sonhado por todas –Quer dançar comigo?- ...mas ele nunca veio.

Risos, lamentos, ciúmes, grandes amizades, brigas, ahhhh.....quantos puxões de cabelo, promessas do tipo, “Ti pego na saída da escola”.
Essa Nostalgia, que tanto me faz bem, em algum momento, sou interrompida pela buzina de um carro, e mais uma vez outra recordação toma conta de meus pensamentos, outros, outros e outros...

Acho que vou dormir, vejo que já é hora, tenho que me levantar cedo, pois tenho um dia atarefado com as minhas obrigações, dentre elas, levar meu filho de 7  anos a  escola, na hora do almoço, busca-lo de volta, almoçar com ele, e antes de voltar ao trabalho, ainda dá tempo de me despedir, e o encontro no seu videogame, onde passa a maior parte da tarde, saindo apenas para ir a aula de reforço das 2.30 e em seguida a de computação as 3.30, e quando retorna, liga o computador onde só sai para ir ao banheiro, pois o lanche, D. Cida lhe oferece lá mesmo.
A noite, tento incentiva-lo a jogar Banco Imobiliário comigo,o jogo está novinho na caixa desde o dia em que ganhou de sua madrinha em seu aniversário passado, sou ignorada, e com poucas palavras volta novamente aos seus e-mails, orkut e sites que jamais conseguirei pronunciar os nomes .

Esbravejo dizendo que amanhã tudo mudará nessa casa.
Amanhã????

.....Sentada na varanda de meu....
Silvia Dias
Enviado por Silvia Dias em 14/10/2007
Reeditado em 14/01/2008
Código do texto: T694219

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Sobre a autora
Silvia Dias
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil
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Silvia Dias