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ATÉ QUANDO?

ATÉ QUANDO?

Caminhando pelo centro de Porto Alegre, um dia desses, aconteceu algo, no mínimo, estarrecedor. Descobri que precisamos rever nossas crenças em relação à existência de outros seres entre nós. Não há mais como negar que eles transitam no meio dos, assim chamados, humanos. Em qualquer lugar, a qualquer hora, esses seres com algumas diferenças – mas também com muitas semelhanças – podem nos abordar numa calçada, na saída do cinema ou em uma sinaleira da cidade. E não precisa ser nenhum curioso ou especialista no assunto para reconhecê-los. Sua aparência e seu comportamento os denunciam, a ponto de logo percebermos sua presença.
Entre as teorias sobre esses seres, há a que defende a idéia de eles estarem apenas à procura de uma forma de garantir a própria sobrevivência, uma vez que suas condições atuais apontam para um futuro em que o pior está prestes a acontecer. Uma outra corrente, no entanto, afirma serem tais indivíduos agentes do mal, esperando uma ocasião apropriada para um ataque, cujas conseqüências são imprevisíveis. Daí a razão pela qual a maioria se esquiva deles sempre que os avista, enquanto anda pelas ruas.
A esta altura, você deve estar imaginando que falo de alienígenas. Antes fosse. Refiro-me a todos os meninos e meninas que povoam, permanentemente, as ruas da nossa cidade. Jovens que, das ruas, fizeram seu lar, sua fonte de renda, seu domínio. Seres fragilizados pelas circunstâncias, excluídos por sua condição, teoricamente, inferior. Pessoas que já nem são vistas como tal, mas como um estorvo, como um peso que a sociedade diz carregar a contragosto. São seres que, na sua maioria, até parecem ter vindo mesmo do espaço, uma vez que não têm família nem qualquer outra referência neste planeta. No fundo, essas crianças estão em condições piores do que as que teriam os “homenzinhos verdes”, já que estes, pelo menos, ainda instigam nossa curiosidade. Talvez, se encontrássemos um ET, tentaríamos nos aproximar, na tentativa de saber se tudo o que imaginamos sobre eles até hoje é verdade ou apenas fruto de nossas mentes férteis.
Numa hora dessas, fico me questionando até quando vamos continuar a tratar esses nossos semelhantes como portadores de alguma doença contagiosa, que precisam ser evitados e, de preferência, excluídos do nosso convívio, a fim de não nos causarem nenhum mal. Até quando?
Everton Falcão
Enviado por Everton Falcão em 17/10/2007
Reeditado em 17/10/2007
Código do texto: T697507
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Everton Falcão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 56 anos
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