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Tudo tem uma Solução

A Origem da Parnaíba Cultural


Numa tarde fria e chuvosa, no primeiro dia de abril, sentados numa casinha mal acabada, no quintal arborizado da minha casa, estavam Daniel e eu. Jogávamos amigavelmente uma partida de xadrez e bebíamos um saboroso vinho que espirávamos num debate sobre a nossa cidade, fazia dois longos anos que não tínhamos uma boa conversa: as estrelas parnaibanas que brilharam suas glórias e as conquistas esplendorosamente alcançadas pelos mesmos no passado; e pensávamos orgulhosos por sermos parnaibanos. Seguindo a cronologia até os tempos atuais e avagações surgiram carregadas de vergonha como, por exemplo: “por que a nossa cidade está tão pobre e dantes era referencia nordestina na economia? E por que, meu Deus, que nossa literatura está descaracterizada e sem um processo evolutivo?” Analisávamos em silêncio por instantes e chegamos a uma conclusão: a cidade decresce pela descentralização cultural.
A pausar aquele jogo, levantei-me vagarosamente e fui em direção a porta,  observei o chuvisco, o frio suave percorrendo meu corpo arrepiando minhas costas, senti que o Céu chorava nossas dores com suas lágrimas. Aqueles pingos de água que davam vida ao solo morto. Daniel levantou-se assustado ligeiramente a falar uma sapiência, “é chegada à hora de assumirmos o compromisso de reunir toda uma geração literária de jovens”, e afirmei completando o sentimento, “criaremos um espaço de debates onde todos os envolvidos por um ideal, nobre e belo, finalmente chegarão às chaves deste terrível problema”.
Ao pegarmos os rascunhos de nossos bolsos, sincronizados pelo destino, que sempre nos acompanharam, começávamos naquele instante a desenhar em formas de letras os objetivos e como atingi-los. Precisávamos de um espaço gratuito que nos proporcionasse um impacto no meio jovem, e finalmente lembramos que a internet seria o primeiro passo, e conseqüentemente uma comunidade no Orkut seria o palco para este debate. E assim fizemos no meu quarto, minutos depois, às 16h54min.
Buscamos um nome que acendesse o municipalismo nos jovens, carregando vertentes culturais e evolutivas. Pensamos, em primeira mão, que o nome ideal seria “Cultura Parnaibana”, e assim estávamos convictos deste tema, mas no momento de nomear a Comunidade perguntamos um ao outro: “esse nome está perfeito em seu sentido, a sonoridade está poeticamente agradável?” Uma palavra suprimia a outra, então surgiu – Parnaíba Cultural.
Na mesma noite, daquela tarde gloriosa, falávamos com um Sábio Ancião que nos conhecera em 2003, no apogeu da Sociedade dos Poetas Parnaibanos (SPP), grupo este idealizado por nós dois que reuniu os adolescentes parnaibanos, nos quais, estes mesmos jovens atraíram a atenção de universitários, professores e meios de comunicação.
Sentamos e falamos sobre nós três nos últimos dois anos de distância. Daniel começa falando que havia estudado no Maranhão, onde deu continuidade aos seus trabalhos literários, caseiros, e de forma objetiva num jornal “O Sertão”. Chegou a passar apertos financeiros e não ter o que comer direito, durante um mês inteiro, quando então começa a lecionar (gramática, química, biologia e inglês) para as 1° e 2° séries do ensino médio, no período em que os professores titulares faziam um curso de capacitação. O medo e a solidão passaram a ser os companheiros de meu amigo do peito, e um dos meus literatos preferidos de minha geração, naquela cidade corrupta que se localiza no centro-sul do Maranhão, Grajaú, terra de índios, cidade que mais parece se localizar num vale entre montanhas, um buraco. Eu mencionei a depressão que me abraçou e me amaldiçoou, no período pós SPP, por esses dois anos de trevas e solidão, já que as letras, que tanto amo e me acompanhavam nas maiores dores, não mais me obedeciam, e de mim fugia a mais singela inspiração, “morreu em mim, o sabiá que cantava (Da Costa e Silva)”. Passei a ser o jovem normal, onde comecei a trabalhar como Vendedor Externo da Distribuidora Nordeste LTDA. e aos 18 anos de idade, fui morar na casa de uma namorada cuja idade era mais avançada do que a minha. Os problemas aumentavam e se tornavam mais pesados e insuportáveis, então, voltei à casa de meus pais, três meses depois abandonei o emprego, passando a freqüentar um bar, degenerativando o meu ser, próximo da minha casa, pelas tardes e noites, durante alguns meses. Decepções amorosas passaram a me trancafiar na casinha do fundo de meu quintal, a minha própria fortaleza da solidão, e a minha vida passou a ser totalmente vegetativa como uma barcarola à deriva no mar, seguindo apenas o balançar das ondas. Tudo isso foi importante, pois aquela prisão do quintal me fez filosofar, como se meu coração profetizasse que se aproximava a hora de ressurgir e me foi concedido o direito de voltar a escrever. Para terminar de nos entristecer o Sábio Ancião mencionou: “estive aqui sentado e bebendo todos os dias e vendo a nossa praça, Jardim dos Poetas, ser deteriorada e esquecida com o passar do tempo”.
Depois desta conversa, eu e Daniel, sentamos no Jardim dos Poetas e fizemos um paralelo com cinco anos anteriores, 2002, quando tínhamos quinze anos de idade, e formamos um grupo de poesia, Tríplice Parnaibana, éramos três, (Sávio Breno, Daniel Ciarlini, Márcio Eugênio). No ano seguinte, esse grupo de poetas, que antes contavam três, absorveu adolescentes e jovens, chegando a contar mais de 15 membros e seu nome passou a ser SPP. Sentados ali, naquela mesinha de xadrez no mesmo lado, o nosso cantinho de inspiração, lembramos de tudo que passamos e que serviu, direta ou indiretamente, de estímulo às nossas forças de vontade e garra. Daniel resolve retornar à Parnaíba, procurando-me logo em seguida: estava iniciada mais uma nova etapa de nossas vidas, as letras sempre nos sugaram, sempre nos apaixonaram, é como meu amigo sempre comenta: “conquanto mais  vivo em Parnaíba, mais ligado fico à escrita...”; e foi quando, naquele jogo prazeroso, tudo surgiu. Por noites e mais noites adentramos nas madrugadas a estudar e elaborar idéias e projetos que acrescentassem vantagens à nossa Geração, ora em minha casa, ora na de Daniel e ora no sagrado Monumento da Independência, na Praça da Graça, onde cultuávamos nossa terra em louvores dionisíacos. E assim foi nossa evolução: Amantes Simples da Escrita > Tríplice Parnaibana > Neosofia > Sociedade dos Poetas Parnaibanos > Parnaíba Cultural > Centro de Estudos e Expansão Cultural > Culturalismo.
AMANTES SIMPLES DA ESCRITA:
TRÍPLICE PARNAIBANA:
NEOSOFIA:
SOCIEDADE DOS POETAS PARNAIBANOS:
CENTRO DE ESTUDOS E EXPANSÃO CULTURAL:
PARNAÍBA CULTURAL:
CULTURALISMO:

A CEEC mantém-se nas pesquisas constantes contando com quatro membros fieis (Márcio Eugênio, Daniel C. B. Ciarlini, R. Santos e Ana Beatriz) e no árduo desenvolvimento de projetos de expansão cultural. As várias noites em claras que passamos nas buscas incessantes para divulgar a Cultura parnaibana. O Projeto Parnaíba Cultural é a materialização de alguns sonhos que antes se faziam distante de alcance. Um objetivo havia sido encaminhado para a glória, mas apenas na área literária, pois não havíamos conseguido abranger as demais referencias Culturais... Como um anjo que trazendo as repostas do Céu, sentados e bebendo uma cervejinha num barzinho na Beira Rio, olhando aquela natureza numa dessas quintas-feiras de julho pela tarde e foi exatamente naquela tarde de quinta-feira que elevamos nossos pensamentos que poderíamos fecundar na Parnaíba uma “Semana Parnaíba Cultural”, que anualmente construirá uma ponte entre a Cultura e os cidadãos piauiense e, quem sabe Deus, brasileiros.
O mundo contemporâneo, virtual, toma e vicia nossos jovens na ilusão de salas de bate-papos e exibições de fotos para paqueras. Tudo isso pode ser bom e ser utilizado de forma moderada procurando sempre focar em objetivos concretos, mas nossos jovens se prendem ao fantasmagórico, ao irreal. O Caminho espinhoso de conquistas tem tomado proporções na juventude e englobando senhores e senhoras de várias regiões do Brasil, como por exemplo de nossa conterrânea, Elisângela D’Ambrósia, a mais bela cronista lida por nossa geração, que compartilha seus sonhos e ideais na comunidade virtual “Parnaíba Cultural”.

O Culturalismo

O Ser humano carrega em sua história as lutas e revoluções no desenvolvimento do intelecto filosófico e científico movido pela força de poucos homens, mas também, vários povos e nações, prestaram-se a condição de servos ou escravos. O comodismo é relacionado diretamente ao marasmo, em outras palavras, as pessoas são conformistas em seus cotidianos esperando que solução (sorte) caia no colo, e cada vez mais “folgados”.
O modernismo surgiu para facilitar as condições dos escritores e em linguagem mais simples, expressar para que um maior numero de pessoas as interprete com mais clareza, porém ainda no início do século XX, os modernistas ainda preservavam um pouco das grandezas artísticas e cada escola literária deixaram como herança para todos os amantes das artes. O comodismo e o conformismo, passaram a enfraquecer a cultura e seus derivados, abrimos livros e lemos com falta de filosofia, conotatividade rica, e dentre outras as grandes heranças deixadas pelas as escolas literárias no passado. Observamos que alguns ainda preservam um conteúdo atualmente, mas o que os nossos jovens aprendem com o restante dos pseudo-autores? Jogar-se sempre no acaso em suor derramado.
Jovens parnaibanos reúnem-se numa empreitada para elaborar, ou melhor, catalogar as melhores características literárias de todas as épocas e arquitetar a “Renascença Cultura do Século XXI”, esses jovens receberam o título de “Geração da Luz”. Reunindo as mais belas artes e os maiores conceitos filosóficos, e surge as tendências da nova escola literária seguidas por seus fieis Artistas em diversos ramos culturais...
Machado Gomes
Enviado por Machado Gomes em 23/10/2007
Código do texto: T706614

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Sobre o autor
Machado Gomes
Parnaíba - Piauí - Brasil, 30 anos
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