Zumbi e a Consciência Negra – Existem de verdade?

Foi com muito orgulho que tive hoje, publicado no site da Fundação Palmares, o texto que agora divido com todos os leitores. No site, apresentado no link da fundação acima, poderá ser visto o texto, clicando no Banner – “Zumbi: Herói da Consciência Negra Escravizado pela Esquerda.” na página do mesmo, na referida página. Segue abaixo, o texto na íntegra.

Dois assuntos necessários de serem analisados e esclarecidos: Zumbi e Consciência Negra. São fatos um tanto quando questionáveis e controversos. Primeiro, por falar de um personagem que poucos provam a sua importância como apregoada pelos movimentos que o endeusam e como passou a ser mais falado na década de 80, visto que antes disso, e posso afiançar como estudante na época e professor de história como profissão a mais de trinta anos, Zumbi pode até ter existido como personagem de nossa história, mas, está longe de ser esse mega ultra super defensor dos negros. Se levarmos em conta o que temos de escritos sobre ele, nos mostram apenas, que pode ter lutado pela manutenção da liberdade dos negros fugitivos e idos para Palmares, mas, sua voz não ecoa sobre o fim da escravidão, até por que, como podemos ver no livro Zumbi dos Palmares, de Leda Maria de Albuquerque, os negros que se revoltavam em Palmares, assim como era na África, eram então colocados como escravos palmarinos.

O nome Zumbi deriva do termo africano NZUMBI, que significa Fantasma. Em “livros clássicos” da História do Brasil como História das Bandeiras Paulistas, de Afonso d’Escragnolle Taunay, Palmares é apenas mencionada, mas não de forma aprofundada. Em História Geral do Brazil de Francisco Adolfo de Varnhagen, temos o termo ZOMBI, significando Deus ou Chefe, equivalente a ZAMBI citando o líder do quilombo. No livro de Leda Maria, Zumbi é a todo instante citado, mas, tem nome – GANGAZUMBA. Não há nenhuma citação a outro personagem Líder de Palmares.

No livro de Guilherme de Andréa Frota – Uma Visão Panorâmica da História do Brasil em sua página 86, vemos a citação do líder do Quilombo chamado “Gangazuma, o zambi (= chefe)” e na página 87 temos a seguinte citação – “A campanha terminou no ano seguinte, quando foi morto o zâmbi (traído por um seu valido)”. Em letra minúscula e indicando Gangazuma como sendo este líder.

Noutro livro clássico da literatura historiográfica brasileira – História do Brasil, de Hélio Vianna, nas páginas 222 a 225 vemos o desenrolar da história da luta contra o Quilombo dos Palmares pelo governo da época e por bandeirantes Paulistas. Retiramos desta última página a citação que segue – “Entre os mortos, uns 200, acossados por Vieira de Melo, caíram num precipício. Formou-se, daí, a lenda do suicídio de Zâmbi (não Zumbi), principal chefe dos aquilombados, e de seus companheiros, que não tem qualquer fundamento histórico (6).” Chama a atenção essa nota de rodapé onde é citado o livro de Rocha Pitta – História da América Portuguesa, onde tal lenda é primeiramente citada e depois reproduzida sem exames mais profundos por outros historiógrafos, até que em As Guerras de Palmares, de Ernesto Ennes, 1º vol., de 1938, tal lenda é “cabalmente desmentida” por documentos incluídos no referido livro.

Mas, como surge tal figura no movimento negro, sendo incluso em nossa história didática? No início da década de 1970, quando um grupo de quilombolas do Rio Grande do Sul indicaram a data de 20 de novembro como sendo o Dia da Consciência Negra, referenciando a data como sendo a do assassinato de Zumbi, questão essa que, acima, já mostramos ser apenas um jogo de palavras – Nzambi, Zâmbi, Zômbi, Zumbi – e tendo como “assassinato”, na verdade, o suicídio do líder revoltoso do Quilombo dos Palmares.

Outro fato que marca esse início do processo de endeusamento de Zumbi, se inicia com o episódio ocorrido em 18 de junho de 1978, quando um homem negro de 27 anos, o feirante Robson Silveira da Luz, foi acusado de roubar frutas na feira onde trabalhava, sendo levado para a Delegacia de Polícia de Guaianazes, na Zona Leste de São Paulo, onde é morto. Em 7 de julho de 1978, na escadaria do Teatro Municipal de São Paulo reuniram-se quase duas mil pessoas para protestar contra o fato. Aquele era o momento de nascimento do chamado Movimento Negro Unificado – MNU. Iniciava-se aí essa corrente de Movimento Negro, precisando apenas de um “Símbolo”, uma “Ícone” que pudesse dar cara a tal movimento que já começava sob o viés e influência do processo Marxista Cultural de separação social. Começava aí a Luta Esquerdista usando o povo negro como massa de manobra.

Neste período de nossa história, vemos a massiva utilização do Marxismo Cultural e do Gramscimo nos meios acadêmicos, principalmente os de cursos de viés Social, englobando História, Sociologia, Filosofia, Geografia etc. Começava aí, no final dos anos 70, início dos anos 80, uma efervescência do esquerdismo no Brasil principalmente pela volta de políticos desse viés ideológico, a partir da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita oriunda do governo Figueiredo, inundando nossas universidades e faculdades com tal posicionamento de pensamento.

Acompanhando essa trajetória do crescimento do esquerdismo no Brasil, vimos aumentar movimentos divisionistas sociais, visando, dividir para conquistar. Fortalece-se então tal Movimento Negro, que vinha copiando o processo de protestos do movimento negro norte americano, onde o racismo é, de longe, muito maior e pontual que o nosso, visto lá termos bairros negros, e na década de 60 tínhamos, inclusive, conflitos graves entre brancos e negros, como até hoje ainda os temos em menor escala, mas, ainda temos em algumas localidades e em parte da sociedade norte americana.

Isso inclusive, mostra como há uma ligação muito forte de movimentos ditos sociais, ao esquerdismo, de maneira, como citado acima, a criar cada vez mais a separação social que interessa apenas à política esquerdizante, que busca levar nossa pátria à um viés que difere completamente do verdadeiro pensamento e visão popular do brasileiro, que não é Esquerdista, nem de longe, pois nosso povo tem uma índole, uma visão amistosa, pacata, alegre, festeira dentro deste amalgama que é a nossa gente miscigenada – marca pontual de nosso povo, ser a mistura do Branco, Negro e Índio de forma natural.

O personagem Zumbi, que se torna essa “ícone da Luta do Movimento Negro”, representante da suposta Consciência Negra, foi na verdade montado e introduzido neste aspecto pela, atualmente Deputada Federal pelo PT, Benedita da Silva, como figura do Panteão de Heróis do Brasil. Lembrando que tal fato pode ser refutado veementemente, visto que em estudos mais atuais sobre o personagem, este é colocado como o assassino ou mandante do assassinato do líder palmarino Ganga Zumba, bem como um dos incentivadores do processo, natural de sua etnia africana, de manter seus inimigos escravizados para conter possíveis levantes destes contra a tribo escravista. Isto não é perfil de Herói? Ou então, distorcemos o que é ser herói.

Pois, para esses grupos esquerdizantes de nossa sociedade, que endeusam Che Guevara, Stálin, Lenin, Mao Tse-Tung, Ho-Chi Mim, Mandela e outros personagens de viés socialista/comunista, vemos também endeusarem personagens dessa nossa Nova História do Brasil, como Carlos Marighella, que, inclusive, no filme homônimo é encenado pelo ator e cantor Seu Jorge – que é negro, quando Marighella na verdade era mulato, filho de um italiano com uma negra. Um guerrilheiro esquerdista do PCB, autor do Manual do Guerrilheiro Urbano, onde ensinava táticas de guerrilha urbana, publicado em 1969, no auge do governo militar e da repressão deste aos movimentos esquerdistas que assolavam o país. Vemos, por setores “ditos sociais”, como heróis acabam sendo forjados para justificar as ações de, hoje políticos de esquerda, e naquela época guerrilheiros que visavam trazem para o Brasil o Comunismo como sendo algo bom e maravilhoso e que hoje, buscam fazer tal coisa através da política. Desta forma, observamos como o esquerdismo no Brasil liga o heroísmo a manifestações contrárias a tal visão.


Tudo isto embasado em duas legislações feitas ainda no início do governo petista de Lula. A Lei 10639 de 09 de janeiro de 2003, instituindo a obrigatoriedade do Estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e a Resolução nº 1 de 17 de junho de 2004 do Conselho Nacional da Educação, instituindo as Diretrizes Curriculares nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Porém, até hoje, nenhum compendio descente foi escrito, nenhum livro didático foi feito, jogou-se apenas nos livros didáticos já existentes o apêndice desta visão sem aprofundar e dar verdadeiramente o papel e importância da cultura negra na formação e participação da cultura, hábitos, costumes etc. do negro na formação do povo brasileiro, ficando apenas pontas soltas, trabalho ditos acadêmicos, mas, na sua grande maioria, muito mais de viés racistas do que educativo, como se o povo negro fosse a escória da terra, e todos os outros seus inimigos, que deveria de ser destruídos para que ele tivesse seu valor destacado. Mostra com isso, um Racismo muito mais fluente que o que é citado pelo próprio movimento como sendo contra os negros.

Em um site da Internet, (https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/qual-a-origem-do-dia-da-consciencia-negra,29c1125444272410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html) observamos o que diz a historiadora Martha Rosa Queiroz, na época da publicação do mesmo (20/11/2013) era Chefe de Gabinete, na Fundação Cultural Palmares: “a data é uma forma encontrada pela população negra para homenagear o líder na época dos quilombos, fortalecendo assim mitos e referências históricas da cultura e trajetória negra no Brasil e também reforçando as lideranças atuais. “É o dia de lembrar o triste assassinato de Zumbi, que é considerado herói nacional por lei, e de combate ao racismo“, afirma.

A lei 12.519 de 2011, institui o 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. Mais uma vez eu venho inquirir: Se existe uma Consciência Negra no Brasil, também deve existir uma branca e outra indigenista, coisas que não existem. A Consciência da importância do negro, do branco e do índio, é que deveria pautar a população como um todo, mas, o propósito de separar a população em nichos pelos políticos e partidários da transformação do Brasil num país comunista, não deixa que tal coisa ocorra, pois, conscientizar toda a população levantaria a questão de que estes que pregam tal coisa, querem apenas o domínio do poder sobre a população, as riquezas e o país como um todo.

Levando em consideração o primeiro censo demográfico do Brasil que contabilizou a população segundo a cor, o sexo, o estado de livres ou escravos, o estado civil, a nacionalidade, a ocupação e a religião, chegamos ao número de, segundo o censo, 9.930.478 habitantes, sendo 5.123.869 homens e 4.806.609 mulheres. Os homens representavam 51,6%, e as mulheres 48,4% da população total. 38,3% eram pardos, 38,1% brancos e 19,7% negros. Os índios, nomeados no censo como “caboclos”, perfaziam 3,9% do total. Temos aí 58% do total da população, dos ditos afrodescendentes, pelo politicamente correto, mostrando que o Brasil é negro na sua maioria. Comparando com o censo de 2010, dos 191 milhões de brasileiros, 91 milhões se classificaram como brancos, 15 milhões como negros, 82 milhões como pardos, 2 milhões como amarelos e 817 mil como indígenas. Registrou-se uma redução da proporção de brancos, que em 2000 era 53,7% e em 2010 passou para 47,7%, e um crescimento de negros (de 6,2% para 7,6%) e pardos (de 38,5% para 43,1%). Sendo assim, a população negra e parda passou a ser considerada maioria no Brasil (50,7%). Ou seja, a grande maioria da população ainda é afrodescendente, por isso, o correto seria lutar pela IGUALDADE DE TODOS OS CIDADÃOS e não separar negros de brancos e de indígenas.

Falar de Zumbi e de Consciência Negra é algo bastante subjetivo. Primeiro, volto a insistir, pelo fato de Zumbi ser um personagem moldado num imaginário de um movimento social – Movimento Negro – e com isso, ser uma incógnita, para construir a imagem de um grande líder, que lutava pela liberdade dos negros… Será? Se for assim, Consciência Negra é outra incógnita, visto que se observarmos as gritarias de que negros são na maioria favelados, pobres etc. lembremos que nas favelas, não moram apenas negros. São duas observações bastante distantes do real brasileiro, mas, muito perto do ideal de divisão social esquerdista, para cada dia mais solapar a população e tentar dominar o poder através dessa população ingênua e ordeira do país.
Luiz Gustavo Chrispino
Enviado por Luiz Gustavo Chrispino em 02/10/2020
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