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Casas que já não existem na cidade...

Casas que já não existem...


 Recordo as brincadeiras no quintal de areia da minha casa. Enorme. Quase no meio daqueles trinta metros tinha um poço. Uma parede de tijolo de mais ou menos de meio metro o circulava. Por cima uma trave de madeira com uma corda e um balde sempre amarrada para facilitar puxar o líquido. A gente brincava gritando dentro poço para escutar o “eco”. Annnna,  Marrria.  Você já brincou gritando no poço?
Lembro também do jirau. Uma armação de madeira velha, onde eram lavadas as panelas de ferro e as gamelas de madeira. Ele ficava sempre localizado a baixo de uma árvore de sombra, para resguardar do sol quem fosse trabalhar naquele ofício. Bom mesmo era brincar com água do tambor de ferro que ficava próximo ao jirau para lavar os utensílios.
No quintal tinha árvores frondosas de sobra e também frutíferas inclusive pé de ata, bananeira, maracujá e azeitona. Isso sem falar na cebolinha e na pimenta que era cultiva com carinho. Era gostoso trepar nas árvores grandes, o balanço dos galhos nos levando de um lado para o outro. Não existe fruta mais gostosa do que aquela que se come lá no alto de uma árvore. Você já experimentou fazer isso?
E o poleiro das galinhas? Varas postas para as aves se agasalharem. Era engraçado vê-las ao entardecer recolhendo-se. Eu gostava de brincar com os pintinhos e recolher os ovos.
Também já não mais existe o fogão a lenha. Tomava toda a extensão da cozinha. O fogo sempre crepitando. Esperando a panela de barro ou de ferro para cozinhas, assar, esquentar. Ainda hoje se sabe que as melhores comidas são feitas em panela de ferro ou barro e no fogão a lenha.
Toda casa tinha despensa. Local onde se guardavam mantimentos. Geralmente um espaço extenso. Maior que muitos dormitórios da modernidade. Lá se guardava saca de farinha, de arroz e meu pai comprava cento de laranjas. Na despensa, também sempre tinha queijo de coalho feito pela minha avó e não deixo de lembrar também da grande panela de esmalte que estava constantemente com uma gostosa coalhada.
As coisas foram se modificando aos poucos. Tivemos que nos mudar para uma casa menor sem quintal, mas bem mais moderna. As paredes eram mais baixas, as portas e janelas tinham um desing mais estiloso, o piso era de mosaico e o banheiro todo de azulejo.
Mais alguns anos e mais uma mudança. Agora a quase é ainda melhor. O piso é de taco. Tem dois banheiros, tem um recuo e espaço para o carro. As lâmpadas estão presas ao forro do teto, não tem mais aquele fio com um bocal para acender e apagar. De longe o interruptor ordena que ele fique acessa ou não.
Hoje minha casa tem seis banheiros, tem muitas árvores frutíferas pelo menos isso, o piso é cerâmica, bem mais confortável do que nos velho tempo, mas sinto saudade do poço, do jirau, das galinhas, da cerca que nos separava do vizinho, do fogão de barro e da  farta despensa.
Tempos bons....Que só sabe quem viveu....
Maria Dilma Ponte de Brito
Enviado por Maria Dilma Ponte de Brito em 24/10/2007
Código do texto: T708205
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Sobre a autora
Maria Dilma Ponte de Brito
Parnaíba - Piauí - Brasil
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Maria Dilma Ponte de Brito