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Crônica de um desencontro


Tudo aconteceu lentamente, os dois se conheceram meio que por acaso, sem grandes alardes, mas a convivência foi responsável pelo surgimento de sentimentos como amizade, companheirismo e assim foi por longos anos.
Existia uma cumplicidade extremada no falar, no olhar, no querer estar perto e saber um do outro, um prazer inexplicável em estar junto, uma atração comparada a de um ímã.
E dessa nobre amizade nasceu um sentimento que invadiu suas vidas, aos poucos foram embebidos, sugados, a tal ponto de não mais conseguirem resistir e, sem nada a fazer, entregaram-se ao clamor do maior dos sentimentos, o amor.
Mas, as intempéries da vida os afastaram e o tempo de sofrimento invadiu seus corações. Ela então, de posse de um imensurável pesar questionava os desígnos celestes. Sentindo-se indigna do merecimento da felicidade, indagava aos céus o porquê de tamanha má sorte, já que tinha certeza de ter enfim encontrado sua alma gêmea, cara-metade, par-perfeito. E por que não dizer a satisfação plena de seus anseios?
Anos de ausência se passaram e o sentimento dela parecia adormecido, já não se cogitava seu retorno, nem tampouco voltar a ser o objeto de desejo daquele homem responsável por manter vivas as lembranças de uma entrega de amor, que ela imaginava ter sido a única de sua vida.
Certo dia, em um encontro casual, em uma noite enluarada, num lugar que mais parecia um Éden, envolvidos por um diálogo, viram-se novamente envoltos às chamas do desejo, afeto, carisma, anseios, volúpia, cumplicidade, que outrora tomaram conta de suas existências. Perceberam então que tudo permanecia igual, ou quem sabe maior, mais intenso, mais maduro, aquele sentimento responsável por deles fazer um homem e uma mulher capazes de amar sem medida.
De posse dessa certeza, constataram que paralelamente àquele imutável sentimento, havia ainda uma persistente impossibilidade de concretizá-lo.
Apesar de confirmada sua insatisfação com o destino que teimava em desapontá-la, não se deixou sucumbir ao desespero e levada por uma inesgotável esperança, tentava dia após dia manter acesso o ideal de poder reencontrá-lo, agora livre das amarras que o impediam de fazer dela a mulher mais amada do mundo.
Ângela Morais
Enviado por Ângela Morais em 24/10/2007
Reeditado em 03/11/2007
Código do texto: T708651

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Sobre a autora
Ângela Morais
Paragominas - Pará - Brasil, 44 anos
16 textos (753 leituras)
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Ângela Morais