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A ARTE E A NATUREZA

Outro dia estava assistindo a uma matéria do Discovery, sobre arte e natureza e confesso – muito me impressionei. Uma artista plástica, por nome de Elaine, explicava a técnica de transformar – de forma conscientemente ecológica, sementes de arvores exóticas em brincos e colares lindíssimos. Jóias naturais – que depois de prontas eram exportadas para vários países do mundo. Daí, interessei pelo assunto e passei a inteirar-me acerca da tal: arte natural, em harmonia com o ecossistema.

Utilizando a tecnologia de ponta, a mim ofertada na tela do meu computador – sem sair do quarto – viajei, através de um clique no rato, até as matas e florestas brasileiras. Foi o descobrimento de um mundo novo. Inusitado e colorido pela própria natureza.

Entre Ipês, Jacarandás, Perobas, Maçarandubas, Aroeiras e Paus Brasil... Encontrei um velho carvalho que resistia – de forma milenar – a ignorância tétrica dos homens pós-modernos.  O velho lenho – ainda invicto à ferocidade do machado e bestialidade da serra elétrica – exibiu-me o histórico macabro de sua dizimada família. Vidas ceifadas quando ainda crianças – se considerarmos que árvores dessas magnitudes vivem de 500, há 600 anos. Postas ao chão para servir de lenha, móveis e carvão (quanto desperdício). Seu primo – Jacarandá – estava desaparecido a mais de cem anos. Dizem que alguém o encontrou recente mente, num dicionário e chorou.  Seu tio, Mogno, foi exilado (deportado) – contra a própria vontade – para servir de mobília na Europa...

Quanto mais eu escarafunchava sobre o assunto, mais descobria o mau uso da natureza. A idiotice humana, e o destempero – bestializado – do capitalismo ocidental.
Aí, voltei-me a artista plástica que com tamanha habilidade fazia bom uso da natureza, transformando-a – de forma consciente e saudável, em fonte de lucro e sustento. Ela, patrocinada por uma ONG (santas ONGs), ensinava arte e consciência ecológica ao que sobrou de uma população ribeirinha, dizimada pelo etnocentrismo de clãs – menos civilizadas.

Pra que assaltar e saquear a natureza, quando ela – tão gentilmente – nos cede todas as suas riquezas?  – Pensei. – Cortar uma árvore de forma predatória deveria ser crime qualificado como latrocínio (roubo, seguido de morte). Para mim, a destruição de mudas de arvores centenárias – para criar bois de corte – deveria ser encarada como infanticídio.

Bom, mas se não é... Fica apenas a pergunta de minha sobrinha (garotinha experta que tem apenas três aninhos): Titio, quando eu crescer (...) será que vai ter ar, pra eu respirar?

                                    Fui! (...)

 
Arlindo Theodoro
Enviado por Arlindo Theodoro em 26/10/2007
Código do texto: T710258

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Sobre o autor
Arlindo Theodoro
Vila Velha - Espírito Santo - Brasil, 53 anos
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Arlindo Theodoro