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A Borboleta

  Fazia bastante tempo que eu não via uma borboleta. Eu sempre achei que eram como flores diáfanas que flutuavam quando o perfume do tempo era tão agradável que a vida parecia um sonho e minhas tardes eram mornas e aconchegantes, parecendo o colo amável de uma mãe amorosa. Elas foram desaparecendo aos poucos. Antes encontrávamos muitas brincando em nosso quintal. Mas, como tudo o que é precioso e terrivelmente caro ao nosso coração, foram desaparecendo aos poucos.
  A infância e a adolescência ficaram para trás, mas aquele sentimento que me aquece o coração não. Eu continuei sendo a mesma menina que trazia na mente a imagem das "flores flutuantes".
Um dia, eu subi em um ônibus, totalmente desprovida de ânimo, para ir a uma entrevista de emprego. Estava absorta, afundada em meu próprio buraco de amargura, quando eu a vi. Sim, era uma borboleta. Uma bela e amarela borboletinha, cheia de charme e estilo. Ela entrou pela porta traseira do ônibus onde eu estava, quando este parou no ponto que fica bem em frente ao Plaza Shopping, no Centro de Niterói, voou por todo ele. Descansou alguns minutos no batente de uma das janelas e desceu, formosa e faceira, na Praia de Icaraí, bem em frente ao cinema. Fiquei imaginando se aquele pequeno ser, que tanto me fez lembrar os luminosos dias da minha "juventude" iria assistir algum filme interessante, visitar a Reitoria da UFF ou simplesmente voar, elegantemente, visitando as lojas ou até mesmo olhando o mar. Naquele mesmo momento, meu coração e mente se encheram de uma coisa que há muito eu pensei ter sido banida de mim: esperança.
Rita Flôres
Enviado por Rita Flôres em 26/10/2007
Reeditado em 08/02/2017
Código do texto: T711068
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rita Flôres
São Gonçalo - Rio de Janeiro - Brasil
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Rita Flôres