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Política ou politicagem?

Política ou politicagem?

Estávamos reunidas para um café das cinco. Sim, isso mesmo, café. Não o tradicional chá das cinco em que as madames se reuniam para resolver algumas situações que as perturbavam. Ou para saberem de algumas novas fofocas. Não. A nossa reunião tem um espírito mais alegre, se bem que trazem algumas desvantagens às mais vaidosas. Receitas e mais receitas são trocadas, principalmente das guloseimas servidas durante o café. É café mesmo e não chá. No café, discutimos livros, moda, receitas, filhos, netos...
Numa dessas reuniões, senti falta de uma amiga. Essa entrou no grupo depois de certa campanha eleitoral. Sem experiência ainda para fazer política, foi aprendendo com outras amigas os “cacoetes” da política ou politicagem? Não sei como essas amigas procediam, quando saíam de porta em porta, fazendo aquele “corpo a corpo” com os eleitores. Só sei que a fujona do nosso grupo, depois de passados alguns meses das eleições, não aparecera mais ao café... café mesmo e não chá! Por quê? Indaguei curiosa! Ela era uma das mais animadas do grupo!... Esbanjava um sorriso franco e aberto e se dava com todas nós...
Depois de certa relutância, uma das amigas presentes resolveu falar: “Antônia não vai mais participar do grupo de café, porque está esperando um emprego”. Então perguntamos se ela já estava trabalhando, ao que a nossa amiga dissera que não. A razão era outra. Ela falou que fora proibida pelo “político” de se reunir conosco. Ficamos perplexas! Era mais um cabresto que ia ser colocado em alguém que fazia política ou politicagem? Mais um eleitor encabrestado, como Fulano, Beltrano e Sicrano... Até quantos irá a lista, não sei!
Todas nós ficamos indignadas com tamanha falta de discernimento por parte desse “político”! Veja só a que atraso chegou! Dissemos em uníssono.
E eu a matutar, me lembrei da minha cidade, antes tão “democrática”! "Será que era mesmo"? Mas como se diz que “formiga não pode criar asas”, já estou entendendo, de leve, o que está se passando por aqui, nesta terra de Bom Jesus dos Meiras, onde se plantou a fé e que sempre se orgulhou de ser independente.
“Politicagem barata, perseguições, retaliações” só existiam na cabeça dos adversários. “Somos democráticos”. “Os cargos são preenchidos por pessoas competentes”; “não importa se pertençam a este ou àquele partido político”! Tudo bem. Podem-se preencher os cargos com correligionários, desde que sejam competentes também. Até aí, nada contra.
Mas obrigar alguém a desfazer de amizades sinceras, inclusive antigas, na promessa de dar algum emprego!... Isso é uma situação vexatória a que o cidadão ou cidadã se expõe! Isso é uma humilhação! Isso é um retrocesso em tudo que já se viveu na política desse município até hoje.
Mas, como diz o ditado “quem nunca bebeu mel, quando bebe se lambuza”, esses políticos estão mesmo lambuzados até a alma. Lambuzados de vaidade e de empáfia, lambuzados de autoritarismo e de orgulho, transformando-se em pessoas auto-suficientes e pretensiosas, a ponto de determinarem quem será amigo de quem. Essa é uma prática medieval, de uma oligarquia que se pretende ficar eternamente no poder e enfiar “goela abaixo” suas leis, seus pensamentos, seus candidatos, aos eleitores.
Será, caro leitor e eleitor, que em pleno século XXI você vai se deixar influenciar por palavras “marotas”?
É mister que se faça um saneamento moral e econômico nas mentes doentias desses políticos que, para se manterem no poder, reportam-se às práticas mais antigas e tiranas da nossa história.
E continuo indo ao café. Chá não. Chá me cheira a sofisticação, a orgulho, a “político”. Café é popular. É servido em qualquer casa aos amigos.
Mena
Enviado por Mena em 26/10/2007
Reeditado em 26/10/2007
Código do texto: T711297

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Sobre a autora
Mena
Brumado - Bahia - Brasil
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