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Descompassos

Descompassos
 
Belvedere Bruno

    Vivo manhãs de sol que não  mais refletem o  antigo brilho, desfolho   flores  que se despiram das  cores de aquarela, e sombras insistentes me envolvem , desde que, numa fração de minuto ,  ele se foi, sem proferir palavras, sem acenar adeus.
   Pôr-do-sol sem poesia,  ondas do mar revoltas tal qual  meu coração.   Pássaros  que já não  mais me despertam com seus cantares.   Vazio...    Nada  espero, mas não me aquieto, imersa  na tortura de  saber-me esquecida.
   Esperança sempre me pareceu coisa sem sentido.  Restam-me,  então,  lembranças de carinhos,  de mãos  que sempre traziam  calmarias.  Nunca mais!
   Dói a  saudade, mas nada peço aos céus, senão que cerrem,  de uma vez por todas, as cortinas de uma vida, agora sem sentido, monocromática, sem  amanhãs. O que foi feito da alegria que teci amorosamente para os dias que nunca chegariam a existir para nós?
   O  orvalho se mistura às lágrimas quando,  subitamente,   vislumbro  estrelas  e o  convite inebriante do bailado das ondas do mar.  Simulo voos.  Chegarei a algum lugar.
belvedere
Enviado por belvedere em 27/10/2007
Reeditado em 15/06/2015
Código do texto: T712232
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
belvedere
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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