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Entre ouro e diamantes

Al Capone já sabia: violência é ruim para os negócios.

Ele queria dividir Chicago pelas quadrilhas, e celebrar a paz entre os criminosos.
Mas, se de um lado a sífilis lhe corroia os neurônios, de outro a ignorância de seus competidores, Bugs Moran e outros celerados lhe brindava com salvas de tiros de metralhadoras Tompsons. E deu no que deu: “metralhadoras também as tenho eu” (Mister Tompson é um democrata que vende machine-guns para quem tem dinheiro, sem qualquer preconceito, metralhadora é uma tradução inadequada para as machine-guns, maquinas de tiros, metralhadora sugere “tiro a metro”, como os sanduíches gordurosos de padarias sofisticadas). E veio a chacina que abalou Chicago e toda uma nação. Sete mortos, imaginem, na garagem, no dia de São Valentim, o dia dos namorados. Capone aproveitava o sol de Miami, e Bugs Moran, surpresa, não deu as caras, escapando miraculosamente da sanha assassina das metralhadoras, os executores disfarçados de policiais.

Violência é ruim para os negócios. Capone foi pego por sonegação de impostos, afinal criminosos não gostam de pagar impostos, preferem distribuir parte de seus lucros diretamente aos funcionários públicos e políticos, dominado-os com o poder corruptor dos caixas-dois. Vivesse no Brasil de hoje não escaparia da CPMF, que transforma até os criminosos em contribuintes do governo, uma espécie de taxa de proteção às avessas. E Bugs Moran, desapareceu de cena. Quem sabe não veio para a América do Sul, ou para Cuba da era pré Castro, um verdadeiro paraíso, fiscal e natural, cheio de cassinos e de belas mulheres disponíveis para mafiosos aposentados.

Estranha essa lógica sem muita lógica. Todo mundo sabe que a violência não é boa para os negócios, mas a lógica da violência não deixa de atuar na lógica do mundo. Carros-bomba vendem a morte não mais a metro-linear, mais a metro cúbico, a morte volumétrica das ondas de choque, aviões se transformam em mísseis, e as autoridades promovem as suas excursões de “search and destroy”, tática desenvolvida no Vietnã, munidas, sempre de um mandato legal, algo que viabiliza a violência como ação social justificada, da mesma forma como Hitler se assenhoreou do poder de praticar a violência em nome da sociedade alemã, após o incêndio do Reichstag, levando todo o mundo ao auge da destruição.

Estanho esse mundo em transformação. Nazistas e comunistas foram derrotados, mas as suas táticas estão mais vivas do que nunca. O mundo internacionalista das empresas transnacionais olha com atenção o desenrolar do congresso do Partido Comunista Chinês!!! As Bolsas de Valores respiram aliviadas quando o presidente chinês discursa, tranqüilizando o mercado. A Bolsa de Xangai bate recordes!!! Que mecanismo perfeito esse das bolsas, do “management” do dinheiro circulante, do controle dos Bancos Centrais, resultado da evolução de milhares de anos da sociedade humana. Não se poderia criar nada mais evoluído do que isso. A não ser, é claro, armas de destruição em massa, guerra bacteriológica, mísseis de longo alcance.

Pois após a destruição vem a construção. E, hoje, o mundo caminha celeremente para uma verdadeira revolução. A criação de uma nova classe média de grandes proporções, em países como a China, a Rússia, a Índia e o Brasil, fato que vai dominar o cenário mundial em todo o século, e para o qual os agentes econômicos internacionais, estão atentos. Não se esqueçam: a violência é ruim para os negócios.

Lembro do tempo em que os líderes comunistas afirmavam que, após a revolução, iriam transformar todo o ouro do mundo em pinicos, já que o ouro não serviria para nada, e que, também não enferruja. Não conseguiram... Quem sabe, um dia... quando defecarmos diamantes...


Jacques Levin
Enviado por Jacques Levin em 28/10/2007
Reeditado em 29/10/2007
Código do texto: T713158

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Sobre o autor
Jacques Levin
Vassouras - Rio de Janeiro - Brasil
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